A gestão de dados tem assumido um papel cada vez mais estratégico nas operadoras de saúde. Em um cenário de aumento dos custos assistenciais, transformar informações em decisões passou a ser um fator relevante para ampliar a eficiência operacional e fortalecer a sustentabilidade do negócio.
Segundo Anderson Farias, CEO da TopSaúde Hub, empresa do ecossistema Interplayers, empresa especializada em soluções tecnológicas para a gestão da saúde suplementar, o uso estratégico dos dados vai além da coleta de indicadores.
"Muitas operadoras já possuem um grande volume de informações, mas o diferencial está na capacidade de transformar esses dados em decisões que apoiem a gestão e tragam resultados para o negócio", afirma.
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que as despesas assistenciais per capita dos planos individuais cresceram 9,35% no último levantamento divulgado. O cenário amplia a necessidade de maior controle sobre custos, sinistralidade e desempenho operacional.
Nesse contexto, Farias complementa que a adoção de uma cultura orientada por dados, conhecida como data-driven, vem ganhando espaço entre as operadoras. O conceito envolve integrar informações assistenciais, financeiras, regulatórias e de utilização para apoiar decisões baseadas em evidências. De acordo com o especialista, essa integração permite uma atuação mais preventiva.
"Quando os dados deixam de estar isolados e passam a conversar entre si, a operadora consegue identificar padrões, antecipar riscos e agir antes que determinados problemas gerem impactos financeiros ou assistenciais."
Um exemplo é a análise da sinistralidade por perfil de beneficiário. Em vez de acompanhar apenas o volume de eventos assistenciais, as operadoras podem avaliar seus impactos sobre os custos, identificar desvios e revisar contratos, processos e estratégias de gestão da rede credenciada.
Para o executivo, um dos principais desafios é evitar que a transformação digital seja associada exclusivamente à aquisição de tecnologia.
"Ferramentas de BI e dashboards são importantes, mas não criam uma cultura orientada por dados sozinhas. É preciso garantir qualidade das informações, padronização de indicadores e integração entre as áreas."
Outro aspecto apontado pelo especialista é a importância da governança de dados. Segundo ele, regras claras para coleta, tratamento e utilização das informações permitem que diferentes setores trabalhem com os mesmos conceitos e indicadores, reduzindo retrabalho e aumentando a confiabilidade das análises.
Além da governança, Farias destaca que o desenvolvimento das equipes também faz parte desse processo.
"Áreas como auditoria, regulação, faturamento e gestão de rede precisam estar preparadas para interpretar os indicadores e transformar informação em ações práticas no dia a dia."
O executivo ressalta ainda que a liderança exerce papel decisivo na consolidação dessa cultura, ao incorporar dados nas decisões estratégicas e demonstrar como os indicadores influenciam resultados relacionados à sinistralidade, aos custos e ao desempenho operacional.
"Outro fator considerado importante é a organização dos processos internos. Para que os dados gerem valor, é necessário que as informações circulem entre as áreas de forma estruturada, segura e no momento adequado, permitindo maior agilidade na tomada de decisão", explica.
Na avaliação de Farias, a combinação entre pessoas, processos e governança fortalece a capacidade das operadoras de antecipar riscos, reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade da gestão.
"Construir uma cultura data-driven é uma mudança na forma de administrar o negócio. Quando dados passam a orientar decisões em todos os níveis da organização, a operadora ganha eficiência e amplia sua capacidade de enfrentar um mercado cada vez mais complexo", finaliza.

