Executivos da área de tecnologia ganharam ainda mais destaque com a implementação da inteligência artificial nas empresas
Foi-se o tempo em que tecnologia poderia ser considerada um silo dentro da empresa, responsável por projetos para as demais áreas. Mais correto, agora, seria dizer que as próprias companhias são um projeto, uma constante adaptação para cumprir o propósito a que se dedicam.
Confira os 10 escolhidos de 2026:
Ana Paula Corazzini – Elgin
Ana Paula Corazzini está há seis anos como diretora de TI da Elgin e não há área da empresa que não tenha sido transformada por seu trabalho. O e-commerce foi implantado já no seu primeiro ano de atuação e todas as áreas ganharam sistemas para melhorar processos, tudo 100% em cloud.

Os desafios correm em paralelo e a executiva atua em diferentes áreas enquanto estrutura a estratégia de inteligência artificial. A IA já roda na fábrica, no atendimento e na área comercial, entregando insights de vendas e curvas de predição. “É muito diferente usar IA com prompt e olhar por trás de toda a arquitetura que precisa dar suporte a uma empresa”, diz Ana.
Anaterra Oliveira – Dasa
Após uma carreira de tecnologia no setor financeiro, Anaterra Oliveira assumiu, no fim de 2023, o cargo de CIO da Dasa, empresa de medicina diagnóstica, e enxergou na saúde um propósito inédito e gigante. Sob o comando de Anaterra, a área de tecnologia da Dasa virou o pilar de uma reestruturação. A empresa unificou sistemas de cerca de 40 marcas e quase 900 laboratórios em 13 estados, além de migração para a nuvem e digitalização da jornada do paciente pelo aplicativo.

“Cada ampolinha daquela é uma vida que está lá dentro. Pode ser a vida da sua mãe, da sua tia, da sua filha”, diz a executiva Anaterra sobre a importância do negócio.
Bruno Machado – Ânima Educação
O CIO Bruno Machado construiu carreira na Ânima Educação. São 17 anos e meio acompanhando o grupo crescer mais de 100 vezes, até os atuais 390 mil alunos e mais de 14 marcas. Hoje, o executivo busca usar a tecnologia para transformar a educação. O propósito, diz, pode soar antagônico: aproximar alunos e professores. A IA entra para remover atritos operacionais, como correção de provas, burocracia e documentação, para permitir ao docente tempo de qualidade com o estudante.

“O papel de mentor ainda é valiosíssimo. Às vezes, o professor mostra que o seu mundo pode aumentar de tamanho. Isso vem de uma troca humana, e é isso que a gente quer maximizar”, afirma Bruno.
Cassiano Ebert – Petrobras
Na Petrobras desde 2003, Cassiano Ebert é o CIO global e lidera uma equipe direta de 1.700 pessoas. Entre as complexidades de seu trabalho, aponta o tamanho da companhia. São 120 mil usuários de tecnologia pelo mundo todo, em vários fusos e em uma operação que roda 24 horas por dia.

“Qualquer decisão da área de tecnologia tem um impacto enorme dentro da Petrobras. O desafio principal é garantir inovações numa empresa desse tamanho e na velocidade que o mundo exige”, diz o executivo.
Eduardo Merighi – Elo
O CTO da Elo, Eduardo Merighi, acumula mais de 20 anos de carreira. Formado em Análise de Sistemas, começou como desenvolvedor em pequenas consultorias e também empreendeu cedo, mas sua trajetória é no setor financeiro.

Na companhia, resume sua missão em dois mandatos. O primeiro é transformar a Elo de uma bandeira de cartões em uma empresa de tecnologia. O segundo é expandir o negócio para além do cartão, como Pix, criptomoedas, stablecoins e pontos de fidelidade. “O DNA da Elo é aproximar um comprador de um vendedor. A gente precisa estar onde o cliente está”, crava Merighi.
Flávio Stecca – iFood
O CTO do iFood, Flávio Stecca, não gosta de holofotes. Discreto e avesso a entrevistas, se define sem rodeios: “Eu me considero um resolvedor de problemas. O que me motiva é o dia a dia, o resultado”. A frase resume a trajetória de um executivo que há oito anos comanda uma das operações de tecnologia mais complexas do país.

Stecca considera que o salto de escala trouxe seu maior aprendizado, o de comandar estruturas gigantes sem perder a agilidade. “Meu dia a dia é gerenciar a complexidade, quebrar essa complexidade em partes menores. É conseguir ter a força de uma empresa de tecnologia com a alma de uma startup.” Para ele, o equilíbrio é delicado, pois o excesso de processos engessa, a escassez leva ao caos e o papel do líder é caminhar no meio.
Francini Cristelo – PepsiCo
Há três anos, Francini Cristelo chegou para liderar a transformação de negócios na PepsiCo. Quando a companhia unificou a área com a de tecnologia, a engenheira assumiu o cargo de CIO da operação brasileira. “Gosto muito de pegar um desafio e resolvê-lo. E hoje a tecnologia é a melhor ferramenta para resolver problemas”, afirma Francini.

O maior exemplo disso é a transformação comercial da PepsiCo, que atende diretamente cerca de 200 mil pontos de venda no país, com aproximadamente 400 produtos e um time de quase 2 mil pessoas. Antes, cabia ao vendedor cruzar informações para decidir o que ofertar ao ponto de venda. Há dois anos, a inteligência artificial da companhia usa dados de históricos de compras, época do ano e até eventos nas redondezas para liberar o tempo do funcionário para desenvolver negócios.
Luiz Borrego – Gol
Em 2021, Luiz Borrego foi convidado pelo CEO da Gol para comandar a área de tecnologia da companhia aérea. “Hoje, tecnologia é um parceiro de negócio, e não mais uma área de suporte que atende tickets e entrega projetos sob demanda”, resume o CIO.

Isso significa ter times de TI trabalhando em conjunto com as áreas de negócio, o que, segundo ele, potencializa a quantidade de iniciativas e resultados. O exemplo mais visível dessa união está na manutenção de aeronaves, um dos maiores centros de custo e uma das áreas que mais usam IA na Gol.
“A Gol é a aérea mais pontual do Brasil nos últimos dois anos e um dos fatores é o uso da tecnologia”, afirma Borrego.
Tamara Gussiardi – Nestlé
A diretora de TI da Nestlé, Tamara Gussiardi, está na empresa desde 2011. Entrou como analista de vendas e distribuição, virou coordenadora em menos de dois anos, passou por business partner e gerência até assumir, em 2019, a direção de TI da operação brasileira, em uma reestruturação que regionalizou os times da companhia.

No currículo dos 15 anos de casa estão projetos que sustentam uma das maiores operações de SAP do mundo. O desafio de hoje, resume, é manter a operação enquanto capacita as pessoas para o novo mundo. “Se uma empresa não tem tecnologia no seu DNA, é muito difícil ela prosperar”, afirma.
Wiliam Potenti – L’Oréal
Antes de iniciar uma carreira no mundo corporativo, o CIO da L’Oréal, Wiliam Potenti, foi militar por dez anos, chegando a segundo-sargento de artilharia. Nesse período, fez faculdade de Sistemas de Informação e também desenvolveu habilidades que considera um diferencial no mercado: disciplina, resiliência e o “espírito de cumprimento de missão”

Há 11 anos comandando a área de tecnologa da empresa de beleza, seu papel foi fundamental para adaptar a operação brasileira ao conceito de beauty tech, adotado pela empresa em 2018 – significando que ela usa ciência e tecnologia para criar experiências de beleza personalizadas. O recurso de prova virtual de cosméticos aumentou em 70% a conversão da empresa. “A L’Oréal usa o poder das tecnologias mais avançadas e o poder dos dados para conhecer profundamente o seu consumidor”, diz Potenti.

