Com direção de Martha Nowill, a peça consolida-se como um dos destaques da atual temporada, com duas indicações ao Prêmio do Humor

Depois de toda repercussão e reconhecimento em suas duas temporadas, A Autoestima do Homem Hétero consolidou-se como uma das comédias mais comentadas da cena recente. Idealizado, escrito e protagonizado por Amanda Mirásci, com direção de Martha Nowill, o espetáculo tem sua temporada prorrogada no Teatro UOL, de 1º de junho a 7 de julho. A partir de agora a peça passa a ter duas vezes por semana, às segundas e terças, às 20h.

O monólogo estreou em 2025 com sessões esgotadas e abriu a programação de 2026 da Arena B3, com quatro apresentações também cheias. O êxito junto ao público veio acompanhado do reconhecimento do meio teatral, com duas indicações ao Prêmio do Humor, nas categorias Melhor Texto e Melhor Direção, reafirmando a força da dramaturgia, da encenação e da comunicação direta com a plateia.

A premissa do espetáculo é simples, provocadora e altamente comunicável: e se fosse possível encapsular a inabalável confiança dos homens héteros e oferecê-la, em forma de pílula, às mulheres? A partir dessa ideia, a peça constrói uma comédia afiada sobre relações afetivas, autoestima e comportamentos masculinos amplamente reconhecíveis, criando identificação imediata com diferentes públicos.

Em cena, Carina, uma farmacêutica, apresenta ao público o lançamento da invenção mais ousada da década: a pílula de autoestima do homem hétero. Ao revelar os componentes da fórmula, a personagem revive encontros e situações dando vida a tipos masculinos que serviram de matéria prima para a sua criação, como o cara do violão de repertório limitado, o dono da caixa de som que domina a praia ou o match do Tinder repleto de exigências descabidas.

À medida que a comédia avança, o espetáculo revela também suas camadas mais profundas. Carina expõe inseguranças profissionais, dilemas afetivos e a presença constante da síndrome da impostora. Ao decidir experimentar a própria invenção, a personagem desencadeia uma sequência de efeitos inesperados que ampliam o humor e aprofundam a reflexão. “Apesar da leveza, o espetáculo mergulha em algo profundo. Essa autoestima masculina, aparentemente inabalável, é um modelo de confiança que se sustenta na negação da vulnerabilidade e que pode ser extremamente tóxico”, afirma Amanda.

“A peça surgiu da minha vida real. Das minhas relações, das histórias das minhas amigas, da minha irmã. Situações que parecem pontuais, mas que, quando compartilhadas, revelam um padrão”, comenta Amanda Mirásci. “Transformar essas experiências em teatro foi uma forma de ressignificá-las. Escolhi o humor porque acredito que rir é uma das maneiras mais poderosas e acessíveis de provocar reflexão.”

Para Martha Nowill, diretora do espetáculo, incluir os homens no debate é parte fundamental da proposta. “Não é uma peça agressiva ou acusatória. É um convite. Queremos fazer com que os homens se enxerguem, riam de si mesmos e falem sobre isso sem constrangimento.” Ela destaca ainda o trabalho cênico da atriz: “A Amanda dá vida a muitos personagens sozinha em cena. Nosso desafio foi transformar esses tipos em algo claro, simbólico e comunicável, usando o corpo, a voz e a escuta como ferramentas centrais.”

Compartilhar.
Deixe Uma Resposta

Português do Brasil
Exit mobile version