Relógios inteligentes: 5 pontos de atenção para usar os dados a seu favor
Tecnologia pode gerar informações pessoais úteis no dia a dia, mas especialista médico alerta que nem sempre os dados são 100% precisos
Os relógios e anéis inteligentes tornaram-se aliados cada vez mais presentes na rotina de quem busca uma vida saudável e uma prática mais eficiente de exercícios físicos. No entanto, é preciso saber interpretar as informações que esses dispositivos fornecem. O cardiologista Eduardo Lapa, diretor médico da Afya e fundador do Afya Cardiopapers, orienta como tirar o melhor proveito dessas ferramentas, sem abrir mão do bom senso.
Frequência cardíaca: referência, não verdade absoluta
Os dispositivos inteligentes são eficientes para medir os batimentos cardíacos em repouso, mas podem apresentar leituras imprecisas durante atividades de alta intensidade. O suor e o movimento dos braços interferem no sensor óptico, comprometendo a precisão dos dados. “Use o número mais como uma base do que como uma verdade absoluta naquele momento”, orienta Eduardo Lapa. Oscilações bruscas durante o treino, portanto, não devem ser motivo de alarme imediato.
VO2 máximo: acompanhe a tendência, não o valor pontual
O VO2 máximo indica a capacidade aeróbica do organismo a partir do consumo de oxigênio. Os relógios inteligentes, porém, não mensuram diretamente a função pulmonar, eles estimam esse índice com base na velocidade de deslocamento e na resposta da frequência cardíaca. “Para quem quer melhorar a forma, o ideal é não se apegar ao valor exato que aparece na tela hoje, mas sim observar se esse número está subindo ao longo das semanas”, explica Lapa. O acompanhamento da evolução ao longo do tempo é mais relevante do que a leitura isolada.
VFC: o termômetro da recuperação
A Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC), também conhecida pela sigla em inglês HRV, mede a variação dos intervalos entre os batimentos e funciona como um indicador do estado de recuperação do organismo. Índices baixos por vários dias consecutivos podem sinalizar necessidade de mais descanso ou redução na carga de treino, inclusive antes que o cansaço se manifeste de forma explícita. A recomendação é analisar o gráfico semanal, e não apenas a leitura de um único dia.
Sono: tendências confiáveis, classificações aproximadas
Os dispositivos são eficazes para registrar o horário de início do sono e a frequência de despertares noturnos. Já as informações sobre fases como sono profundo e sono REM devem ser interpretadas com cautela: como esses aparelhos não avaliam diretamente a atividade cerebral, a classificação é inferida a partir de dados como movimentação, frequência cardíaca e padrão respiratório. O recurso é útil para identificar tendências, mas não substitui avaliação clínica nem exames formais quando há suspeita de distúrbios do sono.
ECG de pulso: triagem, não diagnóstico
A função de eletrocardiograma disponível em alguns modelos representa um avanço significativo para a detecção precoce de alterações cardíacas. “O relógio pode detectar batimentos irregulares que passariam despercebidos, o que pode ser interessante para uma triagem inicial “, afirma Lapa. Diante de qualquer alerta emitido pelo dispositivo, a orientação é procurar um médico e apresentar o registro gerado.
“A tecnologia pode ajudar quem está procurando melhorar a saúde através de medidas comportamentais do dia a dia como regularizar o padrão de sono e avaliar a intensidade do exercício físico praticado. Mas é importante lembrar que os aparelhos podem cometer erros relevantes e que decisões sobre diagnóstico e tratamento devem sempre passar por um médico de confiança”, conclui o cardiologista.


