Empresas apostam em estrutura fracionada e gestão digital para ampliar acesso a imóveis de alto padrão e aumentar eficiência operacional
O modelo de propriedade compartilhada de imóveis de lazer tem ganhado espaço no Brasil ao propor uma mudança na forma como consumidores acessam e utilizam bens de alto valor. Em vez da aquisição integral, o formato permite a divisão do imóvel em frações, com uso organizado e gestão centralizada, antecipando, na prática, a lógica da tokenização no mercado imobiliário.
A tendência acompanha um movimento mais amplo de digitalização do setor, que busca reduzir custos operacionais, simplificar processos e ampliar o acesso a ativos tradicionalmente restritos. Segundo especialistas, a tokenização de imóveis, ainda em estágio inicial no país, deve avançar nos próximos anos à medida que o ambiente regulatório e tecnológico evolui, permitindo que ativos físicos sejam representados digitalmente.
Nesse contexto, a tecnologia passa a atuar como infraestrutura para viabilizar novos modelos de uso e propriedade, ainda que, em muitos casos, sem a adoção direta de blockchain. Na prática, empresas já operam estruturas que reproduzem os princípios da tokenização, ao organizar direitos de uso e gestão de forma digital e escalável.
É o caso da Zozo, que estrutura imóveis de alto padrão em frações e organiza o uso entre diferentes proprietários por meio de uma gestão integrada, incluindo reserva, calendário, manutenção e operação do ativo. O modelo também elimina etapas tradicionais, como a administração individual do imóvel, concentrando a experiência em uma jornada mais simples para o usuário.
“O que fazemos hoje já segue a lógica da tokenização, ao estruturar o imóvel em frações e organizar o uso de forma digital. A diferença é que isso ainda acontece fora da blockchain. Quando o mercado amadurecer no Brasil, essa estrutura pode evoluir naturalmente para um modelo totalmente tokenizado”, afirma Bruno Innecco, fundador e CEO da Zozo.
Além de ampliar o acesso, o modelo também atua sobre um dos principais gargalos do setor: a subutilização de imóveis de lazer, muitas vezes ocupados por poucos dias ao ano. Com a divisão em frações, o uso tende a ser mais eficiente, enquanto a gestão centralizada reduz a complexidade para os proprietários.
Outro impacto relevante está na previsibilidade operacional e na segurança do uso do imóvel. Com regras claras de utilização e gestão estruturada, o modelo reduz conflitos entre proprietários e melhora o controle sobre ocupação, manutenção e custos, pontos historicamente sensíveis nesse tipo de ativo.
A expectativa do mercado é que, com o avanço da tokenização e da digitalização dos ativos imobiliários, novos formatos de propriedade e investimento ganhem escala no país, aproximando o setor de dinâmicas já observadas em outros mercados e consolidando uma mudança estrutural na relação com bens de alto valor.




