Com 5 mil m² e acesso limitado, espaço terá gastronomia, esportes e serviços e funcionará também para membros que não moram no residencial/ Meta Incorporadora
No mercado de alto padrão, a busca por bem-estar começa a ultrapassar os limites da própria residência. Além de conforto e qualidade dentro de casa, ganha espaço entre o público de alta renda o acesso próximo a estruturas dedicadas a esporte, saúde, gastronomia e convivência — lugares que possam fazer parte da rotina e, ao mesmo tempo, criar oportunidades de encontro e conexão com outras pessoas. O The Wealth Report 2025, da consultoria imobiliária Knight Frank, aponta os private members’ clubs como um dos subsetores de crescimento mais rápido do mercado imobiliário.
O avanço do wellness ajuda a dimensionar essa mudança. Segundo o Global Wellness Institute, o mercado global de wellness real estate movimentou US$ 584 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 1,1 trilhão até 2029. Na América Latina e no Caribe, o segmento cresceu, em média, 24% ao ano entre 2019 e 2024. A entidade identificou ainda evidências de que imóveis residenciais com foco em wellness, nos segmentos médio e alto, podem alcançar prêmios de preço entre 10% e 25%.
É nessa interseção entre morar, cuidar do bem-estar e pertencer a uma comunidade que a Meta Incorporadora desenvolve seu novo projeto no Jardim Guedala, em São Paulo. Com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 750 milhões e aproximadamente 40 mil m² de área construída, o empreendimento será concebido em torno de um clube privado de cerca de 5 mil m², com estrutura e operação próprias. O espaço receberá investimento de aproximadamente R$ 50 milhões, terá capacidade limitada a cerca de 300 famílias e será estruturado sobre três pilares: Esportes, Wellness e Saúde Social. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2027.
O clube reunirá quadras cobertas de tênis, padel e pickleball, academia, áreas infantis, ambientes de trabalho e reuniões, concierge e espaços dedicados a encontros e experiências. Três operações gastronômicas de marcas ainda não reveladas também fazem parte da estrutura.
O modelo se diferencia por não restringir o clube aos moradores do empreendimento. Compradores dos apartamentos terão acesso à estrutura, enquanto clientes de outros projetos da Meta terão prioridade na oferta de memberships. Em uma etapa posterior, um número limitado de novos membros também poderá ingressar no clube, após um processo de avaliação. As operações gastronômicas, por sua vez, poderão receber público externo.
Com operação independente da estrutura condominial, o clube ficará sob responsabilidade da própria Meta, em conjunto com parceiros selecionados para atuar nos diferentes pilares do projeto. O valor dos memberships e a quantidade de títulos destinados ao público externo ainda não foram divulgados.
“Não estamos investindo em um clube porque queremos transformar a Meta em uma operadora de clubes. O que entendemos é que esse é um produto que o nosso cliente e o próprio bairro precisam. O retorno não está apenas na operação do clube, mas no valor que essa estrutura agrega ao empreendimento, à experiência de quem mora ali e à comunidade que queremos construir”, afirma Alexandre Souza Lima, CEO da Meta Incorporadora.
No residencial, as unidades terão entre 200 e 400 m². O projeto será construído em um terreno de aproximadamente 3 mil m², com arquitetura e interiores assinados por Gui Mattos. A previsão de entrega é para 2031.
A concepção do clube foi amadurecida a partir de aprendizados acumulados pela incorporadora em diferentes empreendimentos e de um processo mais amplo de pesquisa sobre clubes privados, espaços de convivência, saúde social, longevidade e novas formas de conexão. Entre as referências analisadas estão modelos internacionais conhecidos em pesquisas de campo realizadas em Miami e outras regiões, além de discussões e tendências observadas em diferentes mercados e eventos do setor. Esses aprendizados contribuíram para a definição do formato que a Meta pretende desenvolver em São Paulo.
Para Alexandre, a decisão de colocar o clube no centro do novo projeto reflete uma mudança mais ampla na maneira de pensar os empreendimentos de alto padrão. “O alto padrão não pode ser pensado apenas da porta do apartamento para dentro. Hoje, o cliente olha para a experiência que aquele endereço consegue proporcionar no dia a dia”, afirma.
O lançamento ocorre em meio a um novo ciclo de investimentos da Meta. A incorporadora prevê destinar cerca de R$ 400 milhões à aquisição de terrenos e obras nos próximos três anos, período em que pretende avançar com novos projetos voltados ao segmento de alto padrão.


