Setor que movimentou R$ 48 bilhões em 2025 vive expansão acelerada, impulsionado pela busca de celebridades por procedimentos discretos e pelo avanço da medicina regenerativa
Nos últimos dias, o atacante do Real Madrid e da Seleção Brasileira, Vinícius Júnior, voltou a ser pauta nas redes sociais. Desta vez, o assunto não foram os seus gols ou jogadas em campo, mas sim o seu novo visual. Ao aparecer com o maxilar mais definido em fotos recentes, o jogador reacendeu o debate sobre a busca por procedimentos estéticos — uma tendência que ganha cada vez mais adeptos entre celebridades e o público masculino.
O caso de Vini Jr. ilustra uma mudança profunda no perfil dos pacientes: a forte adesão do público masculino e de pessoas cada vez mais jovens, que passaram a incorporar tratamentos menos invasivos à rotina de autocuidado.
Esses fatores ajudam a explicar por que o mercado de estética vive um momento de expansão acelerada no país. No ano de 2025, o setor movimentou cerca de R$ 48 bilhões. Os números consolidam o Brasil entre as maiores potências globais da área: apenas em 2023, a busca por procedimentos estéticos cresceu 390%, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Para a Dra. Paula Mendes, dermatologista pelo Instituto Pele Saudável, a grande virada do segmento está na mudança da percepção do paciente sobre o resultado final.
“A estética hoje está muito mais ligada a bem-estar, autoestima e envelhecimento saudável do que apenas à transformação visual. Existe uma busca crescente por prevenção, naturalidade e qualidade de pele. O paciente atual quer envelhecer bem, mantendo sua identidade e aparência saudável”, afirma a médica.
A mudança de comportamento também já é percebida na própria dinâmica de consumo do setor. Segundo Andryelle Mokarzel, Head Comercial da Mafra Especialidades — empresa do grupo Viveo especializada na distribuição de produtos para harmonização orofacial (HOF) —, categorias ligadas à regeneração da pele e ao rejuvenescimento preventivo têm ganhado protagonismo.
“Esse é um mercado em que os profissionais estão sempre atrás de inovação. No início, as vendas eram mais concentradas em toxinas. Depois, registramos um crescimento muito forte dos preenchedores e, agora, vivemos o boom dos bioestimuladores, que focam na prevenção e rejuvenescimento da pele. Isso mostra claramente uma maturidade no consumo”, explica Andryelle.
Em média, a Mafra Especialidades expede cerca de 3.500 pedidos mensais voltados ao segmento estético, volume que ultrapassa a marca de 6 mil em períodos de pico de demanda. De acordo com a empresa, a procura por esses produtos ultrapassa o eixo Sul-Sudeste e registra crescimento expressivo em estados como Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Para a Dra. Paula Mendes, a combinação entre a adesão de novos públicos e a busca por resultados naturais evidencia a força da estética brasileira no cenário mundial.
“O Brasil sempre teve uma relação muito forte com a estética e o autocuidado. Isso é cultural. Hoje somos referência mundial justamente por reunir alta demanda, profissionais extremamente atualizados e acesso constante às novas tecnologias e técnicas de regeneração”, conclui a médica.
