A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou o Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2026, ano base 2025, o qual indica que, em 2025, a matriz energética brasileira manteve elevado patamar de renovabilidade, próximo de 50%, com destaque para o aumento da oferta interna de eólica e solar, associado à queda de energia hidráulica. O relatório demonstra que a renovabilidade da matriz brasileira se encontra em nível muito superior ao observado no restante do mundo e nos países da OCDE. Em relação a 2024, enquanto a geração eólica cresceu 8,2%, a geração termelétrica aumentou 12,3% e a geração solar fotovoltaica subiu 24,7%
O relatório, que contém as informações consolidadas sobre quanto e como se usou energia no Brasil em 2025, aponta crescimento na oferta interna de 20,4 TWh (+2,7%) em relação a 2024, além de participação de renováveis na matriz elétrica de 86,8%. O estudo apurou, ainda, crescimento da participação da geração eólica e da solar fotovoltaica na matriz elétrica brasileira, que passaram a representar 26,4% da geração total de eletricidade no país em 2025.
O consumo final de eletricidade, puxado pelos setores industrial, residencial e comercial, cresceu 2,7% em 2025, quando comparado com o ano anterior.
Para o advogado Flávio Telles, da Vivacqua Advogados, que atua no setor desde 2002, "o cenário demonstra que gerar energia limpa não é o problema no Brasil; a dificuldade está em operar um sistema elétrico que gera energia limpa de forma intermitente. Essa situação poderá ser amenizada a depender do resultado dos leilões de armazenamento de energia em baterias, que já tiveram suas diretrizes e sistemática estabelecidas pelo Ministério das Minas e Energia (MME), diminuindo assim a necessidade de realização de leilões de reserva de capacidade (LRCAP), como o realizado nos dias 18 e 20 de março de 2026".
O MME já definiu as regras dos Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência, por meio de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias (LRCAP de 2026 – Armazenamento), que deverão ocorrer nos dias 2 e 4 de dezembro deste ano.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira afirma que "a iniciativa une segurança energética, transição energética e a política industrial desenvolvida pelo governo" e que, com isso, "o Brasil dá mais um passo decisivo para modernizar o seu sistema elétrico. O leilão de baterias vai permitir armazenar energia e entregá-la nos momentos em que o sistema mais precisa, aumentando a estabilidade, aproveitando melhor as fontes renováveis e estimulando a produção nacional de equipamentos estratégicos para a transição energética"
Segundo Flavio, "o crescimento da geração de energias renováveis fez o Brasil migrar de um modelo hidrodependente para um sistema multitecnologia, que, a longo prazo, traz mais segurança à matriz nacional, mas, em função de sua complexidade, é mais caro no curto prazo, necessitando de uma estruturação mais adequada para a redução de seus custos de implementação e mitigação de riscos futuros".
