Knockout! é a primeira panorâmica do artista no Brasil e apresenta obras desde a década de 1990 até os dias de hoje 

Período: 07.03.2026 – 02.08.2026 

Plastic Tree (2015). Imagem: Andrea Rossetti. Cortesia Galleria Continua
L_Enfer du décor (2025). Imagem: Hafid Lhachmi. Cortesia Galleria Continua

São Paulo, 3 de março – A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta Knockout!primeira exposição institucional do camaronês Pascale Marthine Tayou no Brasil. A partir de 7 de março, abrindo a programação expositiva do museu, o artista ocupa as sete galerias do edifício Pina Luz com obras que reorganizam materiais e ativam trocas, refletindo sobre a existência dos objetos cotidianos e convidando o público a olhar para a vida coletiva em diálogo com importantes conferências internacionais. A curadoria é de Ana Paula Lopes e Jochen Volz.

A panorâmica apresenta ao público brasileiro os mais de 25 anos de produção de Tayou, trazendo obras fundamentais como Collones Pascale (2010-2026), L’enfer du décor (2023-2026), além de trabalhos inéditos, como Paradi(se)(2026) e Court-circuit (2026).

Nascido em Nkongsamba, Camarões, Pascale Marthine Tayou construiu uma prática artística marcada pela reorganização de materiais e pela transformação poética de elementos do cotidiano, como cadeiras de plástico, bandeiras, fios elétricos, lápis e utensílios domésticos. Sua trajetória é consolidada por participações em algumas das mais relevantes exposições internacionais de arte contemporânea, incluindo a Bienal de São Paulo, Bienal de Veneza, a Documenta e a Serpentine Gallery, em Londres.

“Suas instalações, esculturas e pinturas são cheias de vitalidade”, diz Jochen Volz, diretor geral da Pinacoteca e curador da mostra. “Um dos nomes mais proeminentes na cena artística global ao longo de três décadas, Pascale Marthine Tayou afirma a capacidade da arte de interromper, reverberar e reconfigurar a maneira como nos posicionamos no mundo e como convivemos com nossas diferenças”, conclui.

Sobre a exposição

O título Knockout! sugere confronto, mas também humor e excesso, elementos que atravessam toda a narrativa da exposição, estruturada a partir de sete conferências internacionais: Berlim, Yalta, São Francisco, Roma, Rio de Janeiro, Bandung e Avignon. Desde o final do século XIX, esses encontros reuniram nações para decisões de impacto global, frequentemente guiadas por interesses estratégicos que resultaram em conflitos, dominação e desigualdades históricas.

Na exposição, Tayou entrelaça esses episódios com experiências estéticas, explorando cores, texturas, materiais e tensões, onde o poético e o político se encontram em atrito constante.

Na primeira sala, dedicada à Conferência de Berlim (1884–1885), que legitimou a partilha colonial da África, uma escultura em forma de lápis com quatro metros de altura ocupa o centro do espaço. O objeto articula, de um lado, a energia criativa do desenho e, de outro, seu potencial bélico inscrito na própria forma, revelando como todo gesto de criação convive com a tensão entre invenção e confronto.

A segunda galeria aborda a Conferência de Yalta (1945), que reorganizou o mundo após a Segunda Guerra Mundial. Nela está L’enfer du décor (2023-2025), composta por quatro grandes colagens sobre tela que reúnem 89 bandeiras nacionais, sugerindo a interdependência entre Estados-nação e refletindo sobre a nacionalidade como condição instável e transitória.

Na terceira sala, associada à Conferência de São Francisco (1945), que resultou na criação da ONU, Tayou apresenta Court-circuit (2026). A instalação articula diferentes materiais em uma estrutura que remete à fiação aérea urbana, com seus improvisos, conexões e fragilidades, evocando os desafios da convivência coletiva.

Na sala seguinte está Collones Pascale (2010-2026), um trabalho site specific desenvolvido por Tayou em diferentes contextos desde 2010. O uso da repetição e acumulação, central no trabalho do artista, aparece aqui por meio do empilhamento reiterado de vasos. Em Knockout!, a obra alude à Conferência de Roma, promovida pela ONU em 1974 para discutir a insegurança alimentar. Fazendo uso de potes locais, o artista trabalha com o quartilhão e o marajoara – usado em religiões de matrizes africanas, construindo uma escultura que vai do chão ao teto e que remete a um problema estrutural sem resolução.

Na sequência, uma grande instalação de galhos secos e sacolas plásticas coloridas denuncia a poluição ambiental causada pelo excesso de plástico. Plastic Tree (2014-2015) dialoga com a Rio-92, conferência voltada às questões climáticas e ecológicas.

Na sexta galeria, uma casa suspensa de cabeça para baixo desafia noções de estabilidade e os sistemas impostos historicamente. Falling House (2014) se relaciona à Conferência de Bandung (1955), que reuniu países africanos e asiáticos em busca de uma posição política coletiva contra a dominação colonial.

A exposição se encerra com a Conferência de Avignon, um evento criado pelo próprio artista como exercício de crítica e fabulação política. Nesta sala estão algumas de suas obras mais icônicas, como Colorful Stones (2015–2026) e Pascale’s Eggs (2019), que refletem sobre a potência transformadora da arte e a política como prática cotidiana.

A exposição tem apoio da Galleria Continua e A Gentil Carioca.

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