Empresária e sócia-investidora Isa Santini compartilha aprendizados sobre gestão, experiência do cliente e os critérios que passou a considerar ao avaliar novos negócios

Apenas 36,3% das empresas que nasceram no Brasil em 2013 continuavam ativas cinco anos depois, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado dimensiona um dos principais desafios do empreendedorismo: não apenas fazer um negócio crescer, mas construir uma estrutura capaz de sustentar esse crescimento ao longo do tempo. Foi nesse processo que Isa Santini, empresária e sócia-investidora com trajetória no mercado de wellness, mudou sua forma de enxergar gestão e expansão.

No início da carreira, Isa estava diretamente envolvida nos detalhes da operação. Com o crescimento, precisou aprender a formar pessoas, criar processos, delegar e assumir uma visão mais estratégica. “O principal aprendizado foi entender que crescimento não significa simplesmente ficar maior. Crescer é conseguir ampliar um negócio sem perder aquilo que fez as pessoas se apaixonarem por ele. No começo, eu estava muito envolvida com todos os detalhes da operação. Com o tempo, precisei aprender a formar pessoas, criar processos, delegar e, principalmente, enxergar o negócio de uma perspectiva mais estratégica. Hoje, quando olho para uma empresa, penso muito menos apenas no presente e muito mais em onde ela pode chegar e no que precisa ser construído agora para sustentar esse próximo estágio”.

Para ela, a consistência é um dos principais fatores por trás de um crescimento saudável. Marca, cultura, processos, pessoas e resultados financeiros precisam avançar juntos. “É relativamente fácil crescer durante um período quando existe demanda, investimento ou uma tendência favorável. O difícil é sustentar esse crescimento. Para mim, uma empresa saudável precisa ter marca forte, cultura, processos, pessoas boas e resultado financeiro. Não adianta crescer no faturamento e perder margem, qualidade ou experiência”.

A experiência do cliente também ganhou espaço nessa construção. No wellness, onde produtos, serviços e tecnologias podem ser replicados, Isa considera que a forma como uma marca faz o consumidor se sentir pode se tornar um diferencial mais difícil de copiar. “Porque produto e tecnologia podem ser copiados. Experiência é muito mais difícil de copiar. No wellness, isso é ainda mais evidente. A pessoa não está comprando apenas uma massagem, um tratamento ou uma tecnologia. Ela está comprando como aquele lugar faz com que ela se sinta”.

A mudança de perspectiva também acompanhou sua entrada em novos negócios como sócia-investidora. Se, como fundadora, existe uma relação emocional com a empresa, ao avaliar uma oportunidade Isa passou a considerar aspectos como mercado, modelo de negócio, margem, capacidade de execução, pessoas e potencial de escala. “Como investidora, preciso olhar também para mercado, modelo, margem, capacidade de execução, pessoas e potencial de escala. Mas existe algo que continuo valorizando muito: quem está por trás do negócio. Uma ótima ideia com pessoas erradas dificilmente se transforma em uma grande empresa”.

A partir dessa experiência, Isa defende que crescer de forma consistente exige menos foco em velocidade e mais atenção à estrutura que sustenta cada nova etapa. “No início, é natural o fundador estar em cada detalhe, porque aquela empresa nasceu dele. Mas chega um momento em que, se tudo depender de você, você se torna o limite do próprio negócio”.

Para a empresária, essa visão também influencia a maneira como observa novas oportunidades. Mais do que seguir tendências, ela busca entender quais mudanças de comportamento podem gerar negócios sustentáveis e em que situações sua experiência pode contribuir para além do capital. No wellness, essa análise passa por áreas como tecnologia, longevidade, estética, recuperação, performance e experiências integradas.

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