Pagamento por aproximação nas catracas, Pix no validador e integração do estacionamento rotativo a uma plataforma de mobilidade estão entre os projetos ampliados pela Autopass em 2026. O período também foi marcado pelo reconhecimento internacional de uma tecnologia brasileira e por movimentos no mercado de capitais.
"Estamos vendo a bilhetagem assumir um papel cada vez mais amplo dentro da mobilidade. Hoje, o cartão convive com Pix, pagamento por aproximação, aplicativos e QR Code. O desafio é integrar essas possibilidades em uma infraestrutura capaz de operar em escala, com segurança e disponibilidade", afirma Bruno Berezin, CEO da Autopass.
Pagamento digital ganha espaço no transporte público
Em São Paulo, a tecnologia EMV está disponível em 100% das 97 estações da CPTM, permitindo pagamento por aproximação diretamente nas catracas. Desde o início da operação, foram realizadas mais de 10 milhões de transações. Em agosto, a tecnologia chegou também à Estação Belém, do Metrô de São Paulo. A companhia também lançou o aplicativo TOP, desenvolvido sobre uma nova arquitetura tecnológica e preparado para incorporar novas funcionalidades.
No Rio de Janeiro, a Autopass implantou o Pix embarcado no Jaé, que permite pagar a tarifa diretamente no validador, sem recarga antecipada ou cartão físico. A funcionalidade já registrou mais de 1,5 milhão de transações. O Jaé também passou a integrar o Rio Rotativo, digitalizando o estacionamento público e reunindo pagamento, ativação e gestão das vagas no aplicativo.
Tecnologia adaptada a diferentes mercados
A Autopass também ampliou projetos adaptados às características de cada sistema. Em Embu das Artes, implantou uma solução de bilhetagem digital com novas possibilidades de pagamento e tecnologias de controle operacional e das gratuidades. Em Araras, o sistema operado pela empresa ultrapassou 2,8 milhões de transações e 20 mil cartões emitidos.
Hoje, as soluções da Autopass estão presentes em 54 cidades, atendem a cerca de 100 operadores de transporte e somam aproximadamente 20 mil validadores/equipamentos em operação.
"Não existe uma única realidade de mobilidade no Brasil. A tecnologia precisa ter escala, mas também flexibilidade para atender à dinâmica de cada operação e às necessidades de quem utiliza aquele sistema", afirma Berezin.
Tecnologia brasileira recebe reconhecimento internacional
Em março, o Jaé levou a Autopass ao Transport Ticketing Awards 2026, em Londres, uma das principais premiações internacionais de tecnologia aplicada à mobilidade. O projeto venceu a categoria Regional Integrated Ticketing, marcando a primeira vitória de uma empresa brasileira na história da premiação.
"Esse reconhecimento mostrou que a tecnologia brasileira tem condições de competir com as principais soluções de mobilidade do mundo. Conseguimos desenvolver tecnologia aqui, operar sistemas de grande complexidade e levar essas soluções para o mercado internacional", afirma Berezin.
Emissão de R$ 185 milhões reforça estratégia financeira
Em julho, a Autopass concluiu sua terceira emissão de debêntures, no valor de R$ 185 milhões, destinada a investidores profissionais, com garantia firme de colocação para a totalidade dos títulos e vencimento em julho de 2031.
A emissão ocorreu cerca de quatro meses após uma operação com notas comerciais realizada em março. Os recursos das debêntures foram destinados ao resgate antecipado integral dessas notas, substituindo uma estrutura de prazo mais curto por outra com vencimento em 2031. As operações, portanto, não representam captações sobrepostas.
A emissão passou por processo de análise e aprovação de crédito de instituição financeira de grande porte, incluindo avaliação da companhia e da estrutura da operação por seu comitê de crédito. As debêntures têm remuneração de 100% da taxa DI acrescida de 3,55% ao ano e amortização de principal a partir de janeiro de 2027.
"Uma operação dessa natureza passa por um processo rigoroso de análise. A instituição financeira avaliou a companhia, sua capacidade financeira e as condições da operação antes da aprovação. A emissão nos permitiu substituir uma obrigação de prazo mais curto por uma estrutura compatível com o horizonte dos nossos negócios", explica Berezin.
No período, a Autopass também implementou auditoria trimestral e instalou um Conselho de Administração.
Bilhetagem abre nova frente de financiamento em infraestrutura
Em uma frente distinta, o projeto do Jaé obteve enquadramento como projeto prioritário de infraestrutura pelo Ministério das Cidades. Apresentado pela CBD Bilhete Digital S.A., o projeto prevê investimentos de aproximadamente R$ 486 milhões, dos quais até cerca de R$ 229 milhões poderão ser captados por meio de debêntures incentivadas.
Segundo a companhia, trata-se do primeiro projeto centrado em uma solução de bilhetagem no país a obter esse tipo de enquadramento. A iniciativa reconhece sistemas, validadores, processamento, dados e meios de pagamento como parte da infraestrutura necessária à mobilidade.
"Esse enquadramento reconhece que a infraestrutura da mobilidade hoje não é apenas física. Bilhetagem, sistemas e meios digitais também demandam investimentos de longo prazo e abrem novas possibilidades de financiamento para a modernização do transporte público brasileiro", afirma Berezin.
Próximos passos
Entre as tecnologias em desenvolvimento está o Account-Based Ticketing (ABT) no ecossistema TOP, modelo que transfere a lógica da bilhetagem do cartão físico para uma conta digital e permite associar diferentes identificadores e meios de pagamento ao usuário. A companhia também apresentou uma nova geração de ATMs com hardware e software próprios, estrutura modular, biometria e configurações adaptáveis a diferentes operações.
"Existe uma mudança estrutural acontecendo na bilhetagem. O caminho é integrar cada vez mais tecnologias, meios de pagamento e serviços sem aumentar a complexidade para o passageiro", conclui Berezin.


