Consumo de álcool, frituras e ultraprocessados costuma aumentar em dias de jogo; médico explica como evitar ressaca, desidratação e excesso calórico sem abrir mão da torcida e dos petiscos.
Reuniões para assistir aos jogos, churrasco, cerveja gelada e petiscos fazem parte da tradição da torcida brasileira durante grandes campeonatos de futebol. Mas o consumo em excesso de álcool, frituras e alimentos ultraprocessados pode trazer impactos importantes para o organismo. Um levantamento da NielsenIQ sobre hábitos de consumo durante a última Copa do Mundo apontou que salgadinhos (53%), cerveja (44%) e churrasco (44%) estiveram entre os itens mais procurados pelos brasileiros para assistir aos jogos, reforçando a importância de se manter equilíbrio nas escolhas alimentares durante o campeonato.
Segundo o médico Danilo Almeida, fundador da Clínica Versio, o problema não está apenas no que é consumido, mas também na quantidade e na frequência durante os períodos de jogos e confraternizações. “Quando existe excesso de álcool, sódio, frituras e alimentos muito calóricos em um curto espaço de tempo, o organismo tende a responder com retenção de líquido, piora da digestão, desconforto intestinal, queda de energia e até alterações no sono. O ideal não é deixar de aproveitar, nem ficar sem comer o que gosta, mas buscar mais equilíbrio nas escolhas”, explica.
Além do impacto imediato, como sensação de inchaço, ressaca e indisposição, o médico alerta que exageros repetidos podem favorecer ganho de peso e piora de marcadores metabólicos. “Muitas vezes a pessoa passa dias seguidos repetindo esse padrão alimentar durante campeonatos e confraternizações. Quando isso acontece, existe um aumento importante no consumo calórico e de substâncias inflamatórias”, acrescenta Dr. Danilo.
Álcool e excesso de sal aumentam risco de desidratação e mal-estar
A combinação clássica de cerveja com petiscos industrializados costuma concentrar grandes quantidades de sódio, gordura e aditivos. Embutidos, salgadinhos, molhos prontos e frituras favorecem a retenção de líquidos e aumentam a sede, o que muitas vezes leva ao consumo ainda maior de bebidas alcoólicas.
“O álcool possui efeito diurético e favorece a desidratação. Quando ele é associado a alimentos muito salgados e gordurosos, o impacto tende a ser ainda maior. Por isso, é comum que a pessoa acorde no dia seguinte com sensação de inchaço, dor de cabeça, fadiga e desconforto gastrointestinal”, explica o Dr. Danilo.
Para reduzir esses impactos, o médico orienta manter hidratação ao longo do dia, alternar bebidas alcoólicas com água e evitar exageros em sequência durante o campeonato. “Pequenas estratégias já fazem diferença, como incluir proteínas e alimentos naturais nas confraternizações, ingerir alimentos com menos sódio e tentar equilibrar o consumo de álcool”, acrescenta Dr. Danilo.
Trocas simples podem deixar os petiscos mais equilibrados
Segundo o médico, pequenas substituições já ajudam a tornar os encontros mais leves sem perder o clima da torcida. Opções como espetinhos de frango, queijos em porções moderadas, pipoca sem excesso de manteiga, sanduíches naturais, mix de castanhas e petiscos à base de proteínas tendem a gerar mais saciedade e menos desconforto.
“O problema não é o petisco, a bebida ou o momento de confraternização em si. O que pesa é o excesso e a repetição de escolhas muito industrializadas. Quando a pessoa consegue incluir mais proteínas, vegetais e reduzir frituras e molhos prontos, normalmente já existe melhora importante”, afirma.
O médico também orienta evitar longos períodos sem comer antes das confraternizações. “Chegar com muita fome favorece exageros. O ideal é fazer refeições equilibradas ao longo do dia, pois isso ajuda a controlar melhor a quantidade consumida durante os jogos”, acrescenta.
Jogos à noite pedem atenção redobrada com alimentação
Como muitas partidas da Copa costumam acontecer no período da noite, outro ponto que merece atenção é o hábito de consumir grandes quantidades de álcool, frituras e alimentos muito pesados pouco tempo antes de dormir. Segundo o médico, esse padrão pode prejudicar a digestão, piorar a qualidade do sono, favorecer refluxo, sensação de estufamento e aumentar a fome e o cansaço no dia seguinte.
Além disso, refeições muito calóricas no período noturno, quando associadas ao excesso e à baixa qualidade alimentar, também podem contribuir para ganho de peso. Segundo o Dr. Danilo, o ideal é evitar exageros perto do horário de dormir e buscar opções mais leves durante os jogos noturnos. “Alimentos muito gordurosos, excesso de álcool e grandes volumes de comida antes de deitar costumam dificultar o processo digestivo e impactar diretamente o sono. Optar por petiscos com proteína, preparações assadas, sanduíches mais leves e manter hidratação adequada tende a gerar menos desconforto e melhora a recuperação do organismo durante a noite”, orienta o médico.
Dicas práticas de como aproveitar os jogos com mais equilíbrio
Alternar cerveja com água: intercalar bebidas alcoólicas com água ajuda a reduzir desidratação, retenção de líquidos e sintomas de ressaca no dia seguinte;
Intercalar ou trocar frituras por versões mais leves: optar por espetinhos, pipoca sem excesso de manteiga, sanduíches naturais ou petiscos assados pode diminuir excesso de gordura e desconforto digestivo;
Reduzir embutidos e ultraprocessados: salame, presunto, salsicha, salgadinhos e molhos prontos concentram grandes quantidades de sódio e aditivos;
Priorizar proteínas nos petiscos: frango, ovos, queijos em porções moderadas e pastas à base de grão-de-bico ajudam na saciedade e evitam exageros;
Evitar longos períodos em jejum: fazer refeições equilibradas antes dos jogos reduz a chance de exagerar no churrasco e nos petiscos;
Incluir opções naturais na mesa: frutas, legumes, palitos de vegetais e castanhas ajudam a equilibrar o consumo durante as confraternizações.
“Torcer, confraternizar e aproveitar os jogos faz parte do momento. O importante é entender que equilíbrio não significa restrição total, mas sim conseguir fazer escolhas mais conscientes na maior parte do tempo”, conclui o médico Danilo Almeida.




