País se consolida entre os principais mercados de turismo de alto padrão e sinaliza mudança no comportamento do viajante
O mercado de luxo no Brasil passa por uma transformação que vai além do aumento de renda ou da ampliação da oferta. Segundo dados recentes da Euromonitor, o país se tornou o 2º maior mercado de turismo de luxo da América Latina – e o 9º do mundo – com projeção de crescimento de 31% até 2030, impulsionado principalmente pela busca por experiências – um movimento que reposiciona a forma como o setor entende valor.
Se antes o luxo estava associado à posse de bens tangíveis, como imóveis e produtos de alto padrão, hoje ele se desloca para o campo da vivência. A mudança acompanha um consumidor que, diante de uma rotina mais acelerada e conectada, passa a valorizar momentos de pausa, conexão e exclusividade.
“Não é mais sobre o tamanho do apartamento ou a beleza da piscina. É sobre o que a gente faz o cliente sentir”, afirma Gilson Gratão, sócio-diretor da GAV Resorts. Para ele, o foco deixa de ser o produto em si e passa a ser a experiência proporcionada.
A mudança não é apenas semântica. Ela impacta diretamente a lógica de precificação e posicionamento das empresas. “O verdadeiro luxo é o valor percebido. É a capacidade de entregar algo tão único e significativo que o preço se torna secundário”, diz Gratão.
Esse novo comportamento também expõe um descompasso dentro do mercado. Parte dos empreendedores ainda opera sob a lógica tradicional, focada em atributos físicos e métricas de preço, enquanto outra parcela começa a estruturar suas ofertas a partir de experiências e significado.
“Por muito tempo, o mercado vendeu posse. Mas o luxo de hoje está ligado à escassez de tempo, à busca por autenticidade e à necessidade de desconexão”, afirma o executivo. “Quem não enxerga isso continua vendendo ‘tijolo’, enquanto o cliente está buscando ‘sentimento’.”
No turismo, essa mudança se traduz em uma valorização crescente de destinos e produtos que oferecem vivências mais personalizadas e menos padronizadas. O interesse por roteiros que combinam bem-estar, natureza, cultura local e exclusividade tem ganhado espaço, especialmente entre consumidores de maior poder aquisitivo.
Para especialistas, trata-se de uma transformação estrutural, e não de uma tendência passageira. O luxo, nesse novo contexto, deixa de ser apenas um marcador de status e passa a ser associado à qualidade da experiência vivida.


