Com trajetórias construídas entre o Brasil e os principais eventos e instituições de arte do mundo, a dupla assume a curadoria da edição prevista para 2027 no Pavilhão Ciccillo Matarazzo
A Fundação Bienal de São Paulo anuncia Amanda Carneiro e Raphael Fonseca como curadores-chefes da 37ª Bienal de São Paulo. Com edição prevista para 2027, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, a Bienal de São Paulo configura-se como o maior evento de artes visuais da América Latina e um dos três mais importantes do mundo, ao lado da Bienal de Veneza e da documenta de Kassel.
Ao longo das últimas edições, a Fundação Bienal de São Paulo tem apostado em e experimentado diferentes modelos curatoriais, que vão de curadores-chefes internacionais a estruturas coletivas sem hierarquia definida, configurando uma alternância deliberada entre perspectivas externas e vozes enraizadas no Brasil. Nesse contexto, a nomeação de Amanda Carneiro e Raphael Fonseca assinala um reencontro da instituição com uma tradição curatorial marcadamente brasileira, ao mesmo tempo em que projeta essa tradição em diálogo com debates contemporâneos e circuitos internacionais.
“Tenho sido profundamente marcada pelas práticas artísticas, debates e encontros que a Bienal de São Paulo torna possíveis. Estou honrada com esta nomeação como curadora-chefe e tocada pela possibilidade de desenvolver esta edição em São Paulo, cidade que também é a minha. Tenho também grande satisfação em realizar este trabalho em parceria com Raphael Fonseca, amigo e colaborador de longa data, e com uma equipe curatorial cujos interesses de pesquisa estão à altura da escala e da complexidade de uma das mais importantes plataformas para a arte contemporânea. Assumir este projeto é, ao mesmo tempo, uma alegria, um desafio e uma responsabilidade. Estou animada para trabalhar com artistas no desenvolvimento dos projetos, questões e formas de engajamento que darão forma a esta edição, e para colaborar de perto com a equipe da Bienal ao longo de todo o processo. Por esta oportunidade única, sou grata à presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Andrea Pinheiro, bem como ao Conselho da instituição”, afirma Amanda Carneiro.
“A primeira vez que viajei do Rio de Janeiro a São Paulo foi em 2006, justamente para ver pela primeira vez uma bienal de artes visuais, a 27ª Bienal de São Paulo”, relembra Raphael Fonseca. “Poder estar no cargo de curador-chefe vinte anos após esse primeiro encontro com o formato bienal é algo que ultrapassa qualquer uma das minhas expectativas e me deixa, francamente, sem palavras. Além disso, poder trabalhar em um projeto desta escala com Amanda Carneiro – alguém com quem já colaborei diversas vezes e que, mais do que uma cocuradora, é parte da minha família de afetos – me deixa ainda mais estimulado. Mal posso esperar para começarmos a solidificar nossas ideias junto à nossa equipe curatorial, aos artistas e às diversas equipes de profissionais que integram a Fundação Bienal de São Paulo. Sou muito grato pela confiança e pela oportunidade concedidas pela presidência da instituição e por seu Conselho”, celebra.
“A Bienal de São Paulo tem mais de setenta anos de história e, ao longo desse tempo, passou por transformações profundas na forma como pensa a curadoria, o público e o seu papel no mundo”, analisa Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo. “A escolha de Amanda Carneiro e Raphael Fonseca para a 37ª edição é parte dessa história em movimento. Pela segunda vez, dois curadores brasileiros assumem, juntos e em paridade, a liderança artística de uma edição. É uma decisão que nasce de um processo de seleção criterioso, coletivo e de uma convicção clara: de que existe, no Brasil, uma geração curatorial com o talento, a experiência e a visão necessários para manter a Bienal de São Paulo no centro do debate artístico do nosso tempo”, afirma.


