Com expansão do setor para além do nicho fitness, o nutricionista Dereck Oak ensina a identificar “armadilhas” nos rótulos e aponta as melhores alternativas de consumo.
O que antes era restrito a lojas de suplementos, hoje domina as prateleiras de supermercados e conveniências. As barras de proteína deixaram de ser exclusividade de atletas para se tornarem um símbolo de praticidade na rotina urbana. O nutricionista clinico e esportivo, Dereck Oak explica como identificar as armadilhas e dá dicas.
A projeção, segundo estudo do Grand View Research, é que o setor cresça 63% até 2033, impulsionado pelo apelo por conveniência e saúde. O potencial desse mercado é tão expressivo que gigantes do setor alimentício tradicional decidiram entrar no jogo: recentemente, o grupo italiano Ferrero adquiriu a fabricante mineira Bold Snacks, sinalizando que o “snack proteico” é a nova fronteira do consumo global.
No entanto, o rótulo de “saudável” que acompanha o termo proteína pode ser enganoso. Segundo o nutricionista clínico e esportivo Dereck Oak, o consumidor precisa ter cautela ao substituir alimentos frescos por essas opções industrializadas. “A proteína é fundamental para a recuperação muscular e o sistema imunológico, mas o fato de um produto ser proteico não o torna automaticamente benéfico. Muitas barras no mercado são verdadeiras ‘bombas calóricas’, repletas de aditivos químicos, corantes e conservantes para garantir sabor e textura”, explica Dereck.
Um dos principais alertas do especialista reside na composição nutricional. Muitas versões, inclusive as que levam sabores de doces famosos, possuem baixa quantidade de fibras e alto teor de gordura saturada. Para quem convive com condições como o diabetes, o cuidado deve ser redobrado.
“Barras que contêm açúcares adicionados ou xaropes podem causar picos de glicemia perigosos. É imprescindível checar a lista de ingredientes: o primeiro item descrito é sempre o que está em maior quantidade no produto”, orienta o nutricionista.
Ultraprocessados: Praticidade vs. Nutrição
Grande parte desses produtos entra na categoria dos ultraprocessados, trazendo um pacote adicional de sódio e aditivos. Para Dereck, a praticidade não deve substituir a nutrição real de forma rotineira. “As barrinhas são úteis em situações excepcionais, como viagens ou dias em que o acesso a uma refeição completa é impossível. Na dúvida, o alimento ‘de verdade’ sempre será superior”, afirma.
A quantidade ideal de proteína varia de acordo com o peso, idade e nível de atividade física: Para adultos sedentários a recomendação média, de acordo com a literatura, é de cerca de 0,8g de proteína por quilo de peso corporal. Já para os praticantes de atividade física ou pessoas ativas, que buscam ganho de massa, esse valor sobre para 1,6 a 2,2g por quilo de peso, podendo ser ainda maior em dietas hipocalóricas que visam a preservação de massa muscular, ou indivíduos com necessidades individuais diferentes. Vale lembrar que esse número pode até passar de 3g por quilo de peso em algumas dietas, tudo vai depender da necessidade individual.
Para atingir a meta proteica diária sem depender dos ultraprocessados, Dereck Oak aponta caminhos mais naturais e econômicos:
Ovos cozidos: Uma das fontes mais completas e baratas.
Iogurte natural: Versões desnatadas ou tipo grego oferecem excelente aporte proteico.
Sanduíches naturais: Pão integral com patês de atum, frango ou ricota (utilizando iogurte no lugar da maionese).
Já para o público vegano além das barras à base de ervilha ou soja, as opções naturais indicadas são o mix de oleaginosas (castanhas e nozes), sementes de abóbora e o edamame.




