Para a implantação e abertura das lojas físicas que ampliam exponencialmente a relevância dos negócios voltados ao luxo no país, as arquitetas Amanda Sitta e BrunaBarbo falam sobre as etapas que constituem a nacionalização dos projetos de varejo 

O varejo de luxo no Brasil segue impulsionado pelo crescimento que registra a cada ano. De acordo com dados recentes revelados pelo relatório “A nova era de crescimento do mercado de luxo”, o dinamismo dessa expansão em território nacional corresponde a 26% entre 2022 e 2024.

Experientes na realização de projetos de arquitetura de varejo de luxo, a Amanda Sitta e Bruna Barbo, ambas à frente do escritório Studio Sitta + Barbo, acompanham e atuam, há mais de 1 década, com a chegada dessas grandes marcas que se instalam em shoppings de alto padrão da região Sudeste – em especial, São Paulo – e outras capitais relevantes dentro desse perfil de consumo.

No portfólio executado pela dupla estão lojas e pop-ups da Chanel Beauty, Kiko Milano e Sisley Paris, entre as marcas de beleza, fragrâncias e skincare. Com abertura em 2026, as profissionais comandam o projeto da de Yves Saint Laurent Beauty e Le Labo, marcas francesas que desembarcam sob a pujança de um mercado vigoroso no Brasil e que estão localizadas no Cidade Matarazzo, complexo centenário que reúne o melhor do lifestyle, próximo à avenida Paulista.

“Especialmente no mercado beauty, que se configura como uma porta de entrada para o consumidor que anseia consumir essas grifes, moda e itens pessoais foram responsáveis por uma alta de 7% nesse mesmo período, conforme o relatório que já mencionamos”, informam.

Elas revelam que a abertura das lojas vem acompanhada pela nacionalização do projeto global enviado pela marca. “Esse desenvolvimento implica na adaptação do conceito globais dentro de aspectos culturais, dos fornecedores que aqui atuam e ajustes necessários para sua aplicação no ponto de venda”, revelam as profissionais que ao longo da carreira e os sete anos do escritório se especializaram no apoio e a execução das boutiques nos shoppings brasileiros.

No que consiste a nacionalização?

Situada no Shopping Cidade Jardim (SP), as arquitetas Amanda Sitta e Bruna Barbo assinaram o projeto de nacionalização e implantação da Sisley Paris | Projeto Sitta + Barbo | Foto: David Zoëga

De acordo com as especialistas, o processo não se consiste em alterar a concepção da arquitetura de varejo definida pela grife, mas sim o de produzir a loja com a mesma essência através de soluções e materiais existentes no Brasil. Seja aqui ou em qualquer outro país que esteja presente, a premissa é oferecer a mesma experiência de compra.

Uma mudança significativa, além de não ser aprovada pelo cliente, é capaz alterar completamente a caracterização visual, os códigos estabelecidos pela marca e a experiência de compra proposta para o consumidor. Trata-se de um trabalho minucioso que promovemos e reportamos para a sede”, detalham Amanda a Bruna.

Para promover a arquitetura de varejo junto às marcas internacionais, as especialistas atuam na identificação dos materiais existentes no Brasil e a homologação dos fornecedores. Segundo explicam, essa etapa é crucial e refere-se, entre outros aspectos, a assegurar que esses fornecedores são capazes de entregar os itens contratados levando em consideração a alta qualidade técnica, certificações internacionais, sofisticação e a identidade visual categórica para o alinhamento com a marca.

Neste rol de análises e certificações que gabaritam a contratação dos serviços estão desde a produção da marcenaria, itens do visual merchandising e a construtora responsável. Mas as arquitetas detalham que a atenção não está voltada apenas para o material: as avaliações também englobam a saúde financeira, questões operacionais, compliance trabalhista, condutas e a origem da matéria-prima como forma de implementar práticas de sustentabilidade dentro dos processos de ESG dessas companhias.

“Somos responsáveis por averiguar todos esses pontos que, no final de tudo, permitem que o consumidor desfrute da experiência concebida e a relação que estabelecem com as marcas. Nossa função é justamente a de transformar identidade em experiência”, verbalizam as profissionais do Studio Sitta + Barbo.

Essa personalização acontece de diversas maneiras, inclusive na elaboração de um mobiliário. Recentemente, Amanda e Bruna contam que em conjunto com o time da Sisley, que desembarcou direto da França, organizaram a logística que a visita à duas marcenarias, situadas no estado de São Paulo. O objeto da marca era, com o apoio delas, desenvolver novos fornecedores locais.

Anterior à essa etapa, a dupla atuou na seleção das empresas que melhor se adequavam com o perfil da Sisley Paris. “Seguiremos acompanhando a criação de amostras e orçamentos que apoiarão as escolhas durante o desenvolvimento de uma nova boutique”, finalizam.

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