Nova casa do chef pâtissier reúne repertório construído ao longo de duas décadas de carreira em menu fixo servido durante todo o dia

No limite entre Higienópolis e Vila Buarque, o chef pâtissier Lucas Corazza abre a sua primeira Doçaria Autoral, prevista para receber o público em soft opening a partir de 14 de outubro. A confeitaria, com 30 lugares e assinatura da João Bueno Arquitetura, traduz a forma como Corazza desenvolveu seu trabalho ao longo dos anos. As lembranças com a mãe e a avó, a formação na França, a pesquisa sobre cacau e ingredientes brasileiros, as experiências em cozinhas, salas de aula, livros e programas de televisão, aparecem em um menu fixo servido durante todo o dia. 

Doces autorais e clássicos revisitados, desde brigadeiros (R$ 9,90) até preparos mais elaborados (R$ 30 a R$ 50), como a pipoca caramelizada com chocolate, a pavlova ácida de beterraba e a tarta basca com goiabada e crispy de Sucrilhos, devem brilhar entre os pedidos do público. Da cozinha também saem opções salgadas, entre elas o pão de queijo com pernil, a torta cremosa de frango e o buraco quente. “Quero que as pessoas encontrem um lugar de acolhimento, com preparos sem firula, que devem atender desde a enfermeira que está dando plantão no hospital aqui ao lado, até o gringo que busca um doce brasileiro incrível”, reforça o chef.

A ideia é que a Doçaria também seja um ponto de parada que conta histórias por meio dos doces. Os presentes gastronômicos partem de criações exclusivas inspiradas em elementos da cultura brasileira. Um dos destaques é o filtro de barro em chocolate, desenvolvido com a técnica de trompe-l’œil, que cria ilusões visuais e transforma objetos do cotidiano em confeitaria.

Lucas Corazza

Antes de conquistar projeção nacional como pâtissier, professor, autor e jurado de televisão, Lucas Corazza já havia construído uma relação profunda com a confeitaria. Os doces sempre fizeram parte de sua história e, desde cedo, encontrou neles um meio de se expressar e preservar lembranças.

A ligação com a cozinha começou na infância, dentro de casa. Cresceu cercado pelas receitas das mulheres da família, de tradições italiana, libanesa e indígena. Nesse ambiente, descobriu a relação dos sabores e aromas com a memória afetiva, como no bolinho de chuva, pão de mel, torta de limão e nas primeiras balas que preparava ainda criança. Na adolescência, começou a levar os doces para vender na escola. Ao herdar da avó uma pequena biblioteca ampliou sua percepção sobre estrutura, textura e proporção e, desde então, desenha muitas de suas criações antes mesmo de prepará-las. E foi assistindo ao Note e Anote, com a Ana Maria Braga, que decidiu por uma formação profissional.

As primeiras fornadas profissionais

Com uma trajetória que começou com a venda de bala de coco e pão de mel no colégio, Corazza saltou para formações pela École Nationale Supérieure de la Pâtisserie, em Yssingeaux, e pela École Bellouet Conseil, em Paris. Além da passagem por cozinhas profissionais no Brasil e no exterior, o confeiteiro dedicou parte da carreira ao ensino. Tornou-se professor, pesquisador e consultor, ministrando cursos, palestras e treinamentos em diferentes regiões do Brasil. Em 2015, passou a integrar o júri do programa Que Seja Doce, do GNT, onde permanece como único membro cativo do elenco.

Ao longo da carreira, Corazza ocupou por duas vezes o posto de Melhor Confeiteiro no prêmio Melhores do Ano, da Prazeres da Mesa, em 2012 e 2018. É autor de Eu Pagaria por Esse Doce, publicado pela Editora Senac Rio, livro que reúne receitas, orientações técnicas e histórias pessoais. Após mais de duas décadas dedicadas à confeitaria, inaugura a Lucas Corazza Doçaria Autoral e leva para um endereço permanente receitas, técnicas e referências construídas ao longo de sua trajetória.

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