Crescimento da moda circular combina busca por consumo consciente, preços acessíveis e impacto social; ASA Brechó, em Pinheiros, transforma compras e doações em recursos para projetos sociais
Comprar uma peça de roupa usada deixou de ser apenas uma alternativa para quem busca economizar. Em meio à crescente preocupação com os impactos ambientais da indústria da moda e à mudança nos hábitos de consumo, os brechós vêm ganhando espaço como uma escolha associada à sustentabilidade, à exclusividade e ao consumo consciente. Mais do que encontrar uma boa peça por um preço acessível, o consumidor passa a enxergar valor em prolongar a vida útil dos produtos e reduzir o descarte.
Dados do Boston Consulting Group apontam que, em 2024, roupas adquiridas em brechós já representavam 12% do guarda-roupa dos brasileiros. A expectativa era de que esse percentual chegasse a 20% em 2025, movimentando cerca de R$ 24 bilhões no país. A sustentabilidade aparece entre os fatores que impulsionam esse comportamento: cerca de 70% dos consumidores de brechós valorizam o aspecto sustentável desse tipo de compra.
O movimento acompanha um debate mais amplo sobre os impactos da indústria têxtil, uma das atividades com maior pressão sobre recursos naturais. A produção de algodão, por exemplo, pode consumir até 20 mil litros de água para cada quilo produzido, dependendo da região. Nesse contexto, a moda circular surge como uma forma de repensar a relação com as roupas, incentivando o reuso e ampliando o ciclo de vida das peças.
É nesse cenário que iniciativas de moda social e sustentável ganham uma dimensão que vai além da questão ambiental. Em São Paulo, o ASA Brechó, mantido pela ASA, organização da sociedade civil fundada em 1942, reúne curadoria de peças de qualidade, preços acessíveis e geração de recursos para projetos sociais. Localizado na Rua Fradique Coutinho, 352, em Pinheiros, o espaço conta com três andares de roupas femininas, masculinas e infantis, acessórios e itens de decoração.
No caso do ASA Brechó, cada compra contribui diretamente para a manutenção das ações da organização, que atende mais de 2.000 pessoas em situação de vulnerabilidade social na capital paulista, entre crianças, adolescentes e idosos. Os recursos obtidos com as vendas ajudam a financiar os serviços de educação e assistência social oferecidos pela instituição em 13 unidades distribuídas por 10 bairros da cidade.
“O brechó representa um exemplo de economia circular com impacto social. Quem doa as roupas pode praticar o desapego de forma consciente, sem simplesmente descartá-las; quem compra encontra boas peças por um preço mais acessível; e a organização transforma essa receita em recursos para seus projetos sociais. É uma cadeia em que todos se beneficiam”, afirma Melissa Pimentel, superintendente da ASA.
Além das compras, a população também pode contribuir com a iniciativa por meio da doação de roupas, acessórios e outros itens em bom estado. Os donativos podem ser entregues diretamente no ASA Brechó ou ter a retirada agendada pelos canais de contato da organização. Dessa forma, peças que poderiam ser descartadas ganham uma nova possibilidade de uso e, ao mesmo tempo, ajudam a gerar impacto social.
Para a ASA, o crescimento dos brechós reflete uma mudança importante na maneira de consumir: sustentabilidade, economia e propósito passam a caminhar juntos. A compra de uma peça de segunda mão pode significar tanto uma escolha individual por qualidade e preço quanto uma forma prática de contribuir para uma causa.
Serviço
ASA Brechó
Rua Fradique Coutinho, 352 – Pinheiros, São Paulo (SP)
Funcionamento: das 10h às 19h
Telefones: (11) 3887-1112 | (11) 95988-1916

