Pesquisa mostra descompasso entre intenção e prática, pois os jovens enfrentam diversas barreiras para incorporar o exercício à rotina
Apesar de frequentemente associada a um estilo de vida muito ativo e conectado ao bem-estar, a Geração Z apresenta, na prática, níveis mais baixos de atividade física do que os de outros grupos. De acordo com o estudo “O novo significado do esporte no Brasil: onde corpo, movimento e cultura se encontram”, realizado pela Decathlon em parceria com a Consumoteca, apenas 43% dos jovens se declaram ativos, índice inferior ao observado entre os millennials(49%) e próximo ao dos boomers(37%).
O dado revela um descompasso entre discurso, intenção e comportamento. Embora o interesse pelo tema seja alto, a prática ainda encontra obstáculos concretos no dia a dia. O contraste geracional ajuda a explicar esse cenário: enquanto os millennialsapresentam uma relação mais estruturada com o esporte, sendo os que mais associam a prática à dedicação e regularidade (52%), a Geração Z se conecta ao tema, mas enfrenta mais dificuldades para transformar intenção em consistência.
Para compreender esse cenário, a pesquisa analisou mais de 10 milhões de menções nas redes sociais ao longo do último ano, combinadas a um levantamento quantitativo com 2.017 brasileiros de diferentes regiões, classes sociais e faixas etárias. O objetivo foi investigar como as pessoas se relacionam com o esporte, revelando não apenas hábitos, mas também as percepções culturais e simbólicas que moldam essa relação. A pesquisa trouxe dados relevantes especialmente entre os mais jovens, que crescem sob forte influência das redes e de novos códigos de sociabilidade.
Jovens querem se exercitar, mas enfrentam mais barreiras
Entre a Geração Z, o interesse pela prática é evidente, mas não se traduz em rotina. Dos entrevistados desse grupo, 58% afirmam que gostariam de se exercitar com mais frequência, acima da média geral (52%), mas enfrentam principalmente barreiras de entrada.
Os principais entraves são:
- falta de motivação (47%)
- falta de tempo (45%)
- custo (39%).
Esse comportamento diferencia os jovens de outras gerações. Enquanto a Geração Z encontra mais dificuldade para começar, entre os boomers o desafio está em manter a prática, com limitações de saúde sendo apontadas por 31% como um dos principais impeditivos.
Além disso, fatores externos também impactam a adesão dos mais jovens: 23% das mulheres da Geração Z relatam percepção de assédio ou desconforto em ambientes de prática, reforçando como o contexto influencia diretamente sua permanência nos exercícios.
Conexão, pertencimento e estilo de vida
Mais do que uma atividade física, o esporte assume para a Geração Z um papel de reconexão em meio a uma rotina marcada por hiperconexão digital e atenção fragmentada. A prática aparece como um espaço de pausa e experiência concreta fora das telas.
Essa relação se reflete diretamente na construção de identidade. Para 56% dos jovens, o esporte influencia o estilo de vida, moldando hábitos, comportamentos e círculos sociais. Entre os millennials, esse vínculo é ainda mais consolidado (63%), indicando um aprofundamento dessa relação ao longo do tempo.
O impacto também aparece na forma como as pessoas se conectam. Entre os jovens, 45% afirmam preferir se relacionar com pessoas que compartilham rotinas semelhantes, comportamento que se mantém entre millennials (45%), mas diminui com a idade, chegando a 36% na Geração X e 26% entre boomers.
Relação mais exploratória com o esporte
A Geração Z também se destaca por uma relação mais aberta e experimental com o universo esportivo. Cerca de 61% demonstram interesse em testar diferentes modalidades, percentual equivalente ao dos millennials (61%) e superior ao observado na Geração X (51%) e entre boomers (33%).
Além disso, os jovens equilibram diferentes motivações:
- 44% associam o esporte à performance
- 44% à recreação.
O dado aponta para uma mudança de lógica: o esporte deixa de ser apenas disciplina ou resultado e passa a ser também experiência, descoberta e diversidade de práticas.
O desafio não é despertar interesse, mas sustentar a prática
Diante desse cenário, o estudo indica que o principal desafio não está em gerar interesse, mas em criar condições para que ele se converta em prática consistente.
A Geração Z já reconhece o valor do esporte:
- 68% associam a atividade à qualidade de vida, inclusive acima de ganhos financeiros ao longo do tempo.
Esse comportamento se intensifica ao longo das gerações, chegando a 69% entre millennials, 70% na Geração X e 72% entre boomers, apontando que a relação com o esporte tende a se consolidar com o tempo.
Mais do que uma geração naturalmente ativa, os dados revelam jovens altamente conectados ao discurso do bem-estar, mas ainda distantes da prática consistente. Nesse contexto, o desafio deixa de ser despertar interesse e passa a ser criar condições reais para que o esporte se encaixe na rotina. Para a Decathlon, esse cenário reforça a importância de ampliar o acesso e ressignificar a forma como o esporte é apresentado.
Acesse a pesquisa completa aqui


