Como parte das ações de aniversário, organização realizou em São Paulo fórum com pacientes e especialistas para discutir a doença e o cuidado multidisciplinar
A ONG Movimento Lipedema completa cinco anos de atuação no Brasil com um alerta central: a dificuldade de acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado para o lipedema, doença crônica e progressiva que afeta principalmente mulheres e ainda é pouco reconhecida no país.
Estimativas apontam que cerca de 10 milhões de brasileiras convivam com a condição, caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente em membros inferiores, associado a dor, sensibilidade ao toque e impacto funcional e emocional. Apesar da alta prevalência, especialistas afirmam que a doença segue subdiagnosticada e frequentemente confundida com obesidade ou outras condições metabólicas.
Criada com o objetivo de ampliar a conscientização e o acolhimento de pacientes, a ONG tem atuado na disseminação de informação qualificada e na defesa de maior acesso a abordagens terapêuticas adequadas.
Como parte das ações de aniversário, a organização realizou recentemente em São Paulo um fórum com pacientes e especialistas em saúde para discutir o manejo da doença e reforçar a necessidade de ampliação do acesso ao cuidado. O encontro reuniu cerca de 100 participantes e funcionou como espaço de troca entre profissionais e pacientes.
O Dr. Fábio Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil e um dos fundadores da ONG, afirma que o principal desafio hoje não é apenas clínico, mas estrutural. “O básico bem-feito também funciona”, diz, ao destacar a importância de pilares como alimentação adequada, sono de qualidade, fisioterapia e acompanhamento hormonal.
“Há uma militância minha e de toda a equipe da ONG Movimento Lipedema em andamento para que seja um direito de todas as mulheres com a condição”, afirmou, ao reforçar o compromisso da entidade, presidida por Gabriela Pereira, com a equidade no cuidado. O especialista ainda ressaltou que o lipedema acompanha a mulher ao longo de toda a vida, desde a adolescência até a maturidade, exigindo acompanhamento contínuo.
Especialistas que atuam junto à organização reforçam que o manejo do lipedema exige abordagem multidisciplinar, incluindo exercício físico adaptado, controle de sintomas no dia a dia e integração entre diferentes áreas médicas, especialmente em casos associados a alterações circulatórias.
Embora não tenha cura, o lipedema pode ter seus sintomas controlados com diagnóstico precoce e tratamento adequado, mas o acesso a esse cuidado ainda é limitado para grande parte das pacientes no Brasil. Ao completar cinco anos, a ONG Movimento Lipedema reforça que seu principal desafio segue sendo ampliar o reconhecimento da doença e reduzir as barreiras de acesso ao diagnóstico e tratamento no país.



