Idealizador do projeto, empresário revela o conceito que fez do hotel uma referência internacional
O que é preciso para criar um hotel que se torne referência internacional sem abrir mão de sua identidade local? Essa foi uma das premissas que orientaram o empresário Alexandre Allard, criador e idealizador do Rosewood São Paulo, desde o início da transformação da Mata São Paulo, no Complexo Cidade Matarazzo. Agora, o projeto liderado por Allard desde o início acaba de ganhar um dos mais importantes reconhecimentos da hotelaria internacional com o Rosewood sendo eleito o 6º melhor hotel do mundo pelo The World’s 50 Best Hotels 2026, tornando-se também o empreendimento mais bem colocado da América do Sul. O reconhecimento foi anunciado o na última terça-feira (15), em Paris, a partir dos votos de cerca de 800 especialistas internacionais.
Ao anunciar a sexta colocação, o próprio The World´s 50 Best Hotels destacou Allard como o empreendedor à frente da criação do projeto.
Mais do que criar um hotel de luxo, o empresário buscou construir uma experiência que partisse daquilo que torna o Brasil singular: sua cultura, sua arte, sua arquitetura, sua natureza, sua ancestralidade e sua capacidade de criar novas formas de viver e receber. “Quando comecei a imaginar um hotel dentro da Cidade Matarazzo, que hoje chamamos de Mata São Paulo, visualizei um lugar que pudesse revelar São Paulo e o Brasil a partir de uma perspectiva diferente. O projeto já nasceu da transformação de um patrimônio que carregava uma história muito poderosa. Preservar essa história era tão importante quanto imaginar o futuro. A partir dessa visão, a conexão de arte, natureza, gastronomia e patrimônio passou a fazer parte da narrativa. Em vez de reproduzir um modelo internacional de hotelaria, o projeto procurou construir uma experiência que só poderia existir em São Paulo,” revela Allard.
O reconhecimento do The World’s 50 Best Hotels reforça justamente essa proposta: criar, a partir de São Paulo, uma experiência capaz de apresentar ao mundo um Brasil autêntico, contemporâneo e sofisticado, sem recorrer a estereótipos. Um exemplo que sintetiza esse conceito é a coleção permanente de artistas brasileiros, expostos pelos espaços do hotel, que compõe uma verdadeira paisagem da produção artística contemporânea do País. Sob a direção artística de Philippe Starck e com curadoria de Marc Pottier, o conjunto reúne mais de 450 obras, muitas delas site-specific, concebidas especialmente para o local.
O projeto do hotel também contou com a colaboração de inúmeros artistas, paisagistas, designers e arquitetos de todos os lugares do mundo, como é o caso do vencedor do Pritzker Jean Nouvel, que concebeu a Torre Mata Atlântica, anexa ao hotel. Essa visão se expande também para os materiais utilizados, como é o caso das escolhas de revestimento, que contemplam 17 mil toneladas de pedras oriundas de estados como a Bahia e o Espírito Santo. Crema Paraná, Branco Calacatta, Amazonite, Preto Paraná, Branco Nuvolato são algumas delas, que só conseguem ser extraídas com tecnologia de ponta.
Mas, para Allard, o projeto representa algo maior do que a criação de um hotel. O Rosewood São Paulo foi o primeiro movimento de uma visão que hoje se expande por meio da Mata São Paulo: a criação de um ecossistema em que diferentes formas de expressão brasileira possam coexistir, se conectar e ganhar projeção internacional.
A Mata São Paulo reúne diferentes “biomas da criação brasileira” — hospitalidade, arte, cultura, entretenimento, gastronomia, moda, design, beleza, business regenerativos e em breve longevidade — em uma experiência integrada, construída a partir do território e de suas comunidades criativas. A proposta é criar plataformas de expressão e encontros que valorizem a produção regional e revelem sua potência para uma audiência global.
Mais do que reproduzir modelos internacionais, a visão parte do Sul Global como território de criação, conhecimento e inovação, reconhecendo que existem novas referências culturais e novos modos de viver, criar e receber que podem ser desenvolvidos a partir daqui e apresentados ao mundo.
“Nunca quis trazer uma ideia pronta de luxo para São Paulo. Queria descobrir o que o Brasil poderia ensinar ao mundo sobre hospitalidade. Quando você cria algo que é verdadeiro para o lugar onde está, as pessoas de fora conseguem sentir essa verdade e se conectar com ela. É isso que torna uma experiência universal”, Allard completa.

