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A exposição “Sala dos espelhos” articula matéria, espacialidade e atmosfera e opera na fronteira entre abstração e figuração, atravessando quarenta anos de trajetória do artista No dia 17 de Maio, a Almeida & Dale inaugura Sala dos espelhos, nova exposição individual de Rodrigo Andrade. Com curadoria de Germano Dushá, a mostra reúne cerca de doze pinturas inéditas do artista, em diferentes formatos, realizadas entre 2025 e 2026. Neste novo conjunto de trabalhos, Andrade expande sua investigação sobre a pintura como campo de experimentação material, visual e psicológica. A partir de camadas espessas de tinta, grandes blocos cromáticos e um embate direto com a materialidade na pintura, o artista cria recintos interiores habitados por formas gráficas – que ele denomina figuras ornamentais – e elementos corriqueiros, como espelhos, mobiliários e outras aparições, formando um vocabulário em permanente renovação. São pinturas que partem de princípios compositivos e regras visuais bem definidas, operando na fronteira entre abstração e figuração, entre estrutura gráfica e sugestão narrativa. O título faz referência à música Room Full of Mirrors, de Jimi Hendrix, evocando um espaço lúdico, inquietante e um tanto opressor, saturado de reflexos e possibilidades, ou um estado mental de intensa reflexão. Para Andrade, interessa justamente essa conotação dupla: a sala dos espelhos como atração popular, imagem pertencente a uma cultura comum, ou como cenário de um thriller psicológico, um ambiente onde o ordinário se torna perturbador. “Me interessa que Sala dos espelhos pertença a uma cultura comum, algo pop, quase vulgar — que está bem presente na exposição. Há também uma dimensão lúdica aí que é fundamental: é um jogo de espelhos, um jogo com regras determinadas. Cada pintura parte de um conjunto de princípios claros que depois vão ser confrontados…