Novos títulos percorrem os bastidores criativos, as estratégias visuais e os episódios decisivos que transformaram as marcas em referências globais
A Editora Senac São Paulo acaba de lançar mais dois títulos da coleção dedicada a nomes centrais da moda, do design e do luxo contemporâneo: “Dolce & Gabbana”, de Jessica Bumpus, e “Rolex”, de Josh Sims. Após volumes dedicados a marcas como Louis Vuitton e Prada, os novos livros ampliam o repertório editorial ao aproximar moda, comportamento e história industrial em narrativas acessíveis, apoiadas por extensa pesquisa iconográfica.
Em comum, os dois livros observam marcas que ultrapassaram os limites de seus respectivos segmentos para se tornarem reconhecíveis em escala global. De um lado, a estética siciliana construída por Domenico Dolce e Stefano Gabbana desde os anos 1980; de outro, a relojoaria suíça de Hans Wilsdorf, marcada pela combinação entre precisão técnica, estratégia de marca e discrição calculada.
Em “Dolce & Gabbana”, o leitor acompanha a trajetória da dupla italiana desde o encontro casual dos estilistas em Milão, em 1981, até a consolidação da marca. O livro percorre os primeiros desfiles, o diálogo com o cinema local e a transformação de elementos como espartilhos, renda, alfaiataria e animal print em códigos permanentes da marca.
A publicação também resgata episódios menos conhecidos da história da grife. Entre eles, estão a criação improvisada da primeira coleção apresentada na Fashion Week de Milão, em 1985, produzida com orçamento reduzido e finalizada em apenas três meses; e o fato de o nome Dolce & Gabbana ter surgido a partir da placa instalada sobre a campainha da casa onde os dois moravam e trabalhavam.
Além disso, é mostrado como a marca antecipou movimentos hoje associados à lógica digital da moda contemporânea, aproximando-se cedo da cultura das celebridades e da dinâmica dos influenciadores. Com mais de cem imagens, o volume documenta campanhas, desfiles e momentos emblemáticos.
Já “Rolex” desloca o olhar para um universo em que design, engenharia e desejo operam em equilíbrio. Nele, o autor investiga como a fabricante suíça, fundada em 1905, construiu uma das identidades mais reconhecidas do século XX sem recorrer à superexposição pública. Ao contrário: parte do fascínio da marca está justamente em sua reserva.
O livro revisita episódios decisivos da história, como a escolha do nome “Rolex” por Hans Wilsdorf durante um trajeto de ônibus em Londres; a aposta precoce nos relógios de pulso em uma época em que eles ainda eram vistos com desconfiança; e a criação do Oyster, lançado em 1926 como o primeiro relógio de pulso hermeticamente fechado e à prova d’água do mundo.
Entre os episódios mais curiosos apresentados na publicação está a travessia do Canal da Mancha pela nadadora Mercedes Gleitze, em 1927, usando um Rolex Oyster preso ao pescoço. Após mais de dez horas na água, o relógio seguia funcionando perfeitamente, feito que se tornaria uma das ações de marketing mais importantes da história da relojoaria.
Por fim, ao longo das páginas, o autor mostra como a Rolex consolidou um repertório visual quase imutável, apoiado em pequenas evoluções técnicas e formais, enquanto construía um imaginário ligado à precisão e ao reconhecimento. O livro também aborda o caráter quase contraditório da marca: industrial e exclusiva ao mesmo tempo; amplamente conhecida, mas pouco transparente; objeto de desejo tanto para colecionadores quanto para consumidores ocasionais.




