Depois de primeira experiência em 2025, multiatleta e apresentador encarou uma das mais difíceis edições da história do maior rally das Américas
Ele já se destacou na canoagem; no paraquedismo, no kitesurf e, no rally raid (provas off-road de longa duração), encontrou mais um esporte para chamar de seu. Depois de viver pela primeira vez em 2025 a sensação de acelerar pelas imensidões do Brasil no Sertões Petrobras, Fernando Fernandes decidiu voltar este ano com um objetivo ainda mais ambicioso. A bordo de um UTV Can-Am Maverick R adaptado da equipe Fifi Rally, o multiatleta e apresentador resolveu fazer mais do que as duas etapas de seu ano de estreia. Largou de Goiânia com a missão de, nove dias e milhares de quilômetros mais tarde, retornar à capital goiana para concluir o desafio. E não apenas conseguiu, como ainda ficou com o segundo lugar na categoria SSV FIA dos Carros.
Mais uma vez Fernando teve a seu lado o navegador Fábio Machado. O equipamento recebeu ajustes em relação ao usado na experiência anterior, sempre com os comandos de acelerador e freio em uma alavanca ao alcance da mão direita e o volante controlado pela mão esquerda. Uma aventura na Transamazônica no período que antecedeu o Sertões Petrobras 2026 ajudou bastante na preparação, assim como a experiência acumulada no ano anterior. Ambas foram fundamentais para encarar um percurso que se mostrou duro e exigente desde o primeiro quilômetro, com etapas longas e técnicas, sob forte calor. Algumas delas com trechos cronometrados que superaram as oito horas de duração.
(Victor Eleutério/Fotop/Sertões) |
Fernando e Fabão deixaram para trás uma primeira parte de rally impiedosa e massacrante, com destaque para a terceira e quarta etapas, que formaram a chamada Maratona (nelas, apenas os próprios competidores podem fazer a manutenção de seus veículos). Para seguir de Luís Eduardo Magalhães (BA) a Mateiros (TO) e de lá a Porto Nacional (TO), encararam as areias do Jalapão em sua versão mais árdua. Um problema no tanque de combustível do UTV impediu a dupla de largar para a quinta, sexta e sétima etapas, mas foi solucionado a tempo para que eles voltassem a acelerar no último dia e, conforme o regulamento do Sertões Petrobras, o completassem entre os classificados; por si só uma façanha. Que, a julgar pela disposição mostrada na chegada, está longe de ser a última aventura sobre quatro rodas.
Maior rally das Américas, o Sertões Petrobras 2026 foi disputado entre os dias 22 e 30 de agosto, com largada e conclusão em Goiânia. O percurso total de 4.020 quilômetros levou pilotos e navegadores a atravessarem Goiás, Bahia, Tocantins e Maranhão, em uma edição (a 34ª) que se mostrou das mais difíceis da história da competição
Aspas
Fernando Fernandes
“Se não foi um rally fácil para quem tem todos os movimentos, como disseram os próprios pilotos profissionais, imagina só para o meu caso. Em algumas etapas não sentia mais a mão do volante e tive de pilotar com dois dedos. Terminava cada dia cheio de bolhas. Cada etapa que completamos esse ano foi muito mais pesada que as duas somadas de 2025. O Sertões é isso: para mim uma lição de como ser humano; de humildade e de como lidar com as diversidades dia a dia. O que levo de bagagem daqui para a vida é muito grande. A gente tem que ter clareza sobre onde quer chegar e meu objetivo era de completar o rally. Chegamos arrebentados, mas conseguimos. A gente ama ter prazer no sofrimento, lidar com os problemas e se superar. Quando se quer realmente alguma coisa, a gente faz acontecer. Minha busca como atleta e comunicador é por trazer crença para a vida das pessoas, mostrar que elas podem. Mal terminamos e eu já penso no que pode ser melhorado no carro para as próximas”.
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