Coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes destaca cidades que unem patrimônio histórico, urbanismo, sustentabilidade e experiências culturais capazes de ampliar o repertório dos estudantes
Viajar pode ser muito mais do que conhecer novos lugares. Para estudantes e admiradores da arquitetura, as férias representam uma oportunidade de observar diferentes formas de ocupar as cidades, compreender soluções urbanísticas e ampliar o olhar sobre patrimônio, cultura e sustentabilidade. Mais do que visitar monumentos, a experiência passa por vivenciar o cotidiano local.
Segundo Sergio Lessa, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes, um bom roteiro deve proporcionar uma experiência completa, reunindo arquitetura, história, paisagem, mobilidade, arte e a vida cotidiana das pessoas.
“Uma viagem relevante é aquela que permite compreender como a cidade funciona, como as pessoas ocupam os espaços e como a arquitetura dialoga com o cotidiano. É essa vivência que amplia o repertório e transforma o olhar de quem estuda arquitetura”, afirma.
Entre os destinos internacionais, Roma aparece como uma das principais referências por reunir diferentes períodos históricos em um mesmo espaço. A cidade preserva ruínas da Antiguidade, edifícios renascentistas e intervenções urbanas contemporâneas, permitindo compreender a evolução da arquitetura ao longo dos séculos. Outro destaque é a integração entre patrimônio histórico e infraestrutura moderna, como a expansão do metrô, cujas escavações revelaram importantes vestígios arqueológicos incorporados ao projeto.
Paris também ocupa posição de destaque por seu planejamento urbano. A cidade reúne importantes intervenções promovidas pelo Plano Haussmann, amplos espaços públicos, intensa vida cultural e edifícios emblemáticos. Além disso, as recentes transformações nas margens do Rio Sena, impulsionadas pelos Jogos Olímpicos, reforçam o compromisso com sustentabilidade e requalificação urbana.
Já Barcelona é reconhecida por combinar urbanismo, design e arquitetura autoral. O Plano Cerdà, responsável pela expansão organizada da cidade, e as obras de Antoni Gaudí tornam o destino uma referência mundial para quem deseja compreender inovação arquitetônica. A cidade ainda reúne importantes intervenções realizadas para os Jogos Olímpicos de 1992, que transformaram sua relação com os espaços públicos.
Além dessas cidades, Sergio Lessa recomenda destinos como Copenhague, Rotterdam, Tóquio, Medellín, Cidade do México, Nova York, Chicago e Berlim. Cada uma oferece experiências ligadas à inovação, sustentabilidade, intervenções urbanas, patrimônio histórico e qualidade dos espaços públicos.
No Brasil, o professor destaca quatro cidades essenciais para ampliar o repertório dos estudantes: São Paulo, pela diversidade arquitetônica e cultural; Brasília, referência internacional em urbanismo moderno; Rio de Janeiro, pela integração entre arquitetura e paisagem; e Curitiba, reconhecida pelas soluções urbanísticas e planejamento urbano.
Como escolher um roteiro arquitetônico
Para quem deseja viajar com foco na arquitetura, o primeiro critério deve ser selecionar cidades que ofereçam diferentes experiências além dos edifícios icônicos.
“A arquitetura não está apenas nos monumentos. Ela está nas ruas, nos bairros, nas praças, nos parques, nos mercados, no transporte público e na maneira como as pessoas vivem aquele espaço”, explica Lessa.
Segundo ele, vale pesquisar previamente quais locais visitar, organizar a logística da viagem e definir quais aspectos despertam maior interesse, como patrimônio histórico, paisagismo, habitação, tecnologia, sustentabilidade ou arquitetura contemporânea.
Mais do que visitar edifícios
Para o especialista, caminhar pela cidade continua sendo a melhor forma de compreender a arquitetura. Observar como as pessoas utilizam os espaços públicos, como funcionam os deslocamentos, a relação entre edifícios e ruas e a qualidade das áreas de convivência permite uma leitura muito mais rica do ambiente urbano.
Outra recomendação é utilizar o transporte público para conhecer bairros além dos roteiros turísticos e compreender a dinâmica da cidade sob a perspectiva dos moradores.
Registrar a viagem também faz parte do aprendizado. Fotografias, desenhos e anotações ajudam a construir um repertório visual e crítico que poderá servir de referência ao longo da formação profissional.
“A melhor viagem é aquela que transforma nosso olhar. Muitas vezes chegamos a um lugar com determinadas expectativas e voltamos com uma percepção completamente diferente. Essa mudança de perspectiva é uma das experiências mais valiosas para quem estuda arquitetura”, conclui Sergio Lessa.




