A história da costura brasileira ganha um novo capítulo no Museu da Imigração, em São Paulo. A exposição Reatar, aberta ao público a partir de 31 de julho, reúne cerca de 40 objetos que retratam a relação entre o universo têxtil, os processos migratórios e a formação da indústria da confecção no país. Entre as peças expostas está uma overloque Singer de 1958, cedida pela Andrade Máquinas, que passa a integrar o acervo da mostra ao lado de outros equipamentos históricos da indústria têxtil.
Com curadoria da equipe de Pesquisa do Museu da Imigração, a exposição percorre a trajetória das fibras têxteis até sua transformação em vestimentas, revelando como diferentes comunidades migrantes ajudaram a construir novos territórios, desenvolver a indústria da confecção e preservar tradições por meio do fazer manual. A mostra também aborda a concentração das indústrias têxteis nos bairros do Brás e da Mooca, regiões que tiveram papel fundamental no desenvolvimento econômico de São Paulo.
A presença da Singer na exposição reforça o papel histórico da marca, que há 175 anos acompanha diferentes gerações de costureiras, alfaiates, empreendedores e famílias que encontraram na costura uma oportunidade de trabalho, geração de renda e transformação social. “A costura sempre foi muito mais do que uma atividade produtiva. Ela preserva memórias, conecta gerações e cria oportunidades. Ver uma máquina Singer que atravessou décadas, preservada pela Andrade Máquinas e agora apresentada nesta exposição dedicada à imigração e à história da indústria têxtil brasileira, reforça o legado de uma marca que acompanhou a trajetória de milhões de pessoas ao longo de mais de um século”, afirma Concheta Feliciano, diretora sênior de Marketing para a América Latina e APAC da SVP Worldwide, proprietária da Singer.
Ainda hoje, a costura segue presente na rotina de milhões de brasileiros. Seja como profissão, hobby ou forma de expressão criativa, a atividade também vem conquistando novos públicos, impulsionada por movimentos ligados à personalização, ao consumo consciente e ao empreendedorismo. A Singer observa um crescimento do interesse entre consumidores mais jovens, que enxergam na costura uma forma de criar peças exclusivas, reaproveitar roupas e desenvolver pequenos negócios.
Além dos equipamentos históricos, a exposição convida o visitante a refletir sobre o simbolismo dos fios na experiência migratória. Um dos elementos retratados relembra o costume de famílias utilizarem um novelo de linha durante as despedidas nos portos: à medida que o navio se afastava, o fio se desenrolava até se romper, simbolizando a distância física, mas não o rompimento dos vínculos afetivos. A mostra ressignifica essa imagem ao demonstrar como os fios continuam conectando culturas, memórias e gerações.
Em cartaz até 3 de janeiro de 2027, a exposição Reatar reúne artefatos, vestimentas, fotografias, registros históricos e ferramentas de costura que ajudam a preservar a memória de uma atividade que atravessou gerações e continua influenciando a moda, a economia criativa e o empreendedorismo brasileiro.
Museu da Imigração
Rua Visconde de Parnaíba, 1.316 – Mooca – São Paulo/SP
Tel.: (11) 2692-1866
Ingressos: R$ 16 (inteira) | R$ 8 (meia-entrada)
Bilheteria: de terça a sábado, das 9h às 17h; e aos domingos, das 10h às 17h
Acessibilidade no local – Bicicletário na calçada da instituição | Metrô Bresser-Mooca
