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Monitoramento por dispositivos inteligentes transforma a forma de compreender o organismo e orienta decisões mais precisas sobre saúde, desempenho e qualidade de vida
Até pouco tempo, decisões relacionadas à saúde e ao treinamento eram tomadas com base em avaliações pontuais e na observação dos profissionais. Hoje, relógios inteligentes, anéis, sensores corporais e outras tecnologias vestíveis permitem acompanhar o funcionamento do organismo ao longo das 24 horas do dia, gerando informações que ajudam a entender como cada pessoa responde ao sono, ao estresse, à atividade física e ao processo de recuperação.
Essa mudança tem despertado o interesse da comunidade científica. Entre 2024 e 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reuniu especialistas para discutir a incorporação de dispositivos vestíveis ao monitoramento da atividade física e da saúde da população. Segundo a entidade, essas tecnologias ampliam a qualidade das informações sobre comportamento, movimento e condicionamento físico, fortalecendo estratégias de prevenção de doenças e promoção da saúde¹.
Para André Trombini, diretor do VICCI Studio, o avanço mais importante não está no volume de dados gerados diariamente, mas na capacidade de transformá-los em decisões personalizadas.
“O organismo produz informações o tempo todo. O desafio não é apenas coletar esses dados, mas interpretá-los para entender como cada pessoa responde aos estímulos e, a partir disso, definir estratégias mais eficientes para treinamento, recuperação e qualidade de vida.”
O organismo fala o tempo todo
Qualidade do sono, frequência cardíaca, variabilidade da frequência cardíaca (HRV), temperatura corporal, níveis de atividade física, gasto energético e recuperação fisiológica são alguns dos indicadores monitorados continuamente pelos dispositivos inteligentes.
Na prática, essas informações permitem acompanhar o organismo também fora do ambiente de treino, oferecendo uma visão mais completa da rotina e facilitando a identificação de padrões que dificilmente seriam percebidos apenas em avaliações periódicas.
“Quando analisamos o comportamento do organismo ao longo dos dias, conseguimos compreender melhor como fatores como sono, estresse e rotina interferem na resposta aos exercícios. Isso permite ajustar as estratégias de forma muito mais precisa.”
Da padronização à personalização
Durante décadas, programas de treinamento seguiam protocolos semelhantes para pessoas diferentes. O avanço da tecnologia inaugura uma nova lógica: compreender as necessidades de cada organismo antes de definir a intensidade, a carga e até os momentos mais adequados. Segundo Trombini, essa mudança representa um dos pilares da longevidade saudável.
“Cada organismo responde de maneira diferente aos mesmos estímulos. Quando entendemos esses sinais em tempo real, conseguimos construir estratégias mais seguras, eficientes e sustentáveis, respeitando a individualidade de cada pessoa.”
Embora esse tipo de tecnologia tenha surgido no esporte de alto rendimento, vem se tornando cada vez mais acessível ao público que busca envelhecer com mais saúde, preservar a capacidade funcional e melhorar a qualidade de vida.
Referência: Organização Mundial da Saúde (OMS). Wearables for physical activity monitoring: technical consultation report (2026).
