O avanço das plataformas por assinatura ampliou as possibilidades de monetização para quem produz conteúdo e quer construir uma relação direta com o público. Esse modelo pode ser aplicado a diferentes universos — de moda e entretenimento a gastronomia, fitness e lifestyle — e abre espaço para experiências, bastidores e materiais exclusivos que não estão disponíveis nas redes abertas.
Os números ajudam a dimensionar esse mercado. Em agosto de 2026, a Privacy informou ter mais de 25 milhões de usuários e 700 mil criadores. A plataforma repassa 80% das transações aos criadores e reúne, além das assinaturas, recursos como conteúdos pagos e chat. Em conteúdo publicado pela própria empresa, criadoras de destaque relataram que o chat pode representar até 30% do faturamento de um perfil. No exterior, o OnlyFans processou cerca de US$ 7,2 bilhões em pagamentos de fãs em 2024.
Para Diego Giallanza, diretor da BRAIN Assessoria, o crescimento desse modelo também amplia o papel de quem trabalha na gestão de talentos. "Abrir uma conta é a parte mais simples. O desafio é transformar presença digital em uma operação: definir posicionamento, produzir com frequência, entender o que desperta interesse, manter relacionamento e acompanhar o que converte", afirma.
Na avaliação de Giallanza, esse trabalho passa por compreender o percurso entre a descoberta de um criador e a decisão do público de consumir algo exclusivo. Instagram e X podem gerar descoberta, interesse e circulação; plataformas de assinatura, como Privacy e OnlyFans, concentram conteúdos e experiências exclusivas; e o Telegram pode fortalecer comunidades privadas e ampliar a monetização por meio de operações automatizadas por bots.
"O diferencial não está simplesmente em estar presente em várias redes. É entender como elas se conectam. Uma plataforma pode despertar o interesse, outra, aprofundar o relacionamento, e outra, concentrar a experiência exclusiva. Quando existe estratégia, cada canal passa a ter uma função dentro da mesma operação", explica Giallanza.
A experiência da BRAIN no mercado de modelos e influenciadores acrescenta outra frente: ampliar a circulação de um talento para além dos próprios perfis. Relacionamento com a imprensa, ações colaborativas, revistas, páginas de entretenimento e perfis de grande alcance podem apresentar um nome a novos públicos. Conectada às redes sociais e aos canais exclusivos, essa exposição também pode funcionar como porta de entrada para novas audiências.
Um exemplo dessa lógica na trajetória de Giallanza é o projeto fotográfico Pelados na Chapada, realizado na Chapada dos Veadeiros e que reuniu, em diferentes edições, nomes como Jesus Luz, Jhona Burjack, Julianne Trevisol, Nando Rodrigues, Maria Joana, Aline Campos e Alex Morenno.
Além da repercussão dos convidados, as produções também levaram cachoeiras e paisagens da região para pautas de entretenimento e comportamento em veículos nacionais. No caso de Jesus Luz, um dos ensaios foi realizado na Cachoeira Rei do Prata, em Cavalcante, fazendo com que a projeção do trabalho também desse visibilidade ao destino.
A participação de Jesus no projeto e sua entrada, anos depois, no mercado de conteúdo por assinatura pertencem a momentos distintos, mas ajudam a mostrar como imagem, audiência e monetização passaram a ocupar espaços mais próximos. Em 2025, o modelo e DJ estreou na Privacy e chegou à primeira posição da plataforma logo após o lançamento do perfil, segundo informações divulgadas pela empresa.
Mais recentemente, a BRAIN realizou a conexão de Antônio Rafaski, ex-participante do BBB e talento acompanhado por Diego Giallanza, com a Privacy. A entrada do ex-BBB na plataforma se soma à expansão de um mercado em que personalidades começam a explorar novas formas de conteúdo e relacionamento com suas audiências.
Esse mercado, porém, não se resume necessariamente a conteúdo explícito. A lógica das plataformas por assinatura está na possibilidade de oferecer algo que determinado público considere interessante o suficiente para acessar de forma exclusiva. Um chef pode disponibilizar receitas, aulas e bastidores; um profissional de fitness, conteúdos adicionais sobre treinamento; músicos, artistas, modelos e influenciadores podem criar materiais e experiências que não aparecem integralmente em suas redes abertas.
A profissionalização também muda a maneira de avaliar resultados. Quantidade de seguidores deixa de ser o único indicador relevante e passa a dividir espaço com conversão, recorrência, permanência dos assinantes, desempenho dos conteúdos e qualidade do relacionamento com a comunidade.
"Nem sempre a maior audiência é a que mais monetiza. Existe diferença entre ter alguém que simplesmente acompanha seu conteúdo e ter uma comunidade realmente interessada no que você produz. Saber identificar, entender e trabalhar essa audiência faz parte da estratégia", afirma Giallanza.
A produção é outra parte dessa equação. A BRAIN mantém estrutura para fotografias e vídeos e, por meio de seu networking, conecta talentos a fotógrafos, filmmakers e outros profissionais de conteúdo no Brasil e no exterior. Isso permite organizar produções recorrentes e planejar como os materiais serão utilizados nos diferentes canais.
O relacionamento direto com os assinantes também ganha relevância. Em plataformas nas quais chats, conteúdos individualizados e ofertas adicionais participam da monetização, atendimento, organização e agilidade passam a integrar a operação. Serviços especializados de chat e relacionamento podem complementar o trabalho do criador e ampliar possibilidades além do valor da assinatura.
Para Giallanza, essa soma aproxima a gestão tradicional de talentos da gestão de negócios digitais. "O criador não precisa apenas produzir. Existe um ecossistema em volta dele. Assinaturas, chat, conteúdo especial, redes sociais, comunidades, imprensa, ações colaborativas e projetos com marcas podem conversar entre si. Quando tudo isso é pensado em conjunto, a presença digital deixa de ser somente exposição e começa a ser tratada como negócio."

