No Brasil, 76,6% dos profissionais acreditam que a IA pode substituir parte de seus empregos

O avanço acelerado da inteligência artificial amplia uma sensação silenciosa, porém crescente: a de ser substituível. Mais do que uma preocupação com o emprego, o fenômeno passa a impactar a autoestima, a segurança emocional e o senso de identidade, ao colocar em dúvida o valor humano em um cenário cada vez mais automatizado.

No Brasil, 76,6% dos profissionais acreditam que a IA pode substituir parte de seus empregos, segundo a consultoria Korn Ferry. Outro levantamento, da Ipsos, mostra que 58% esperam que a tecnologia elimine postos de trabalho e aprofunde desigualdades. Globalmente, mais de 60% dos trabalhadores preveem mudanças significativas em suas funções nos próximos anos, de acordo com a PwC.

Para Saulo Nardelli, autor e pesquisador de espiritualidade aplicada ao desenvolvimento humano, a sensação de substituição revela uma fragilidade mais profunda na forma como a identidade é construída. “Para Saulo Nardelli, autor e especialista em desenvolvimento humano e espiritualidade, o fenômeno não se limita ao trabalho, ele revela um deslocamento mais sutil e estrutural do comportamento humano. “Não estamos apenas delegando tarefas à tecnologia. Estamos delegando percepção, decisão e até a forma como nos relacionamos com a realidade. Quando isso acontece, o risco não é apenas perder funções, mas perder a própria capacidade de viver a experiência humana de forma direta”, afirma.

Além do impacto individual, a percepção de substituibilidade altera a forma como as pessoas se posicionam. Em um ambiente em que tudo pode ser replicado rapidamente, cresce a comparação constante, a busca por validação imediata e a perda de autenticidade.

“Esse movimento fragiliza a autoestima e influencia relações, decisões de carreira e a capacidade de sustentar escolhas. A longo prazo, o risco não se limita à substituição de funções, mas atinge o que diferencia o humano: a experiência subjetiva e a capacidade de atribuir sentido à própria existência”, acrescenta Saulo.

O tema é aprofundado no livro “As 4 Chaves do Cristo”, de Saulo Nardelli, com lançamento previsto para junho de 2026 pela Editora Gente. A obra propõe que a sensação de substituição não surge apenas da tecnologia, mas também de uma desconexão do indivíduo com a própria essência, reforçada pela identificação excessiva com papéis e produtividade.

“O debate deixa de ser sobre o medo da substituição e passa a apontar para uma questão mais essencial, que é o que realmente torna alguém insubstituível. A resposta não está na performance, mas na consciência, um atributo que nenhuma tecnologia é capaz de replicar”, conclui o autor.

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