A Loja MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand participa da CASACOR São Paulo 2026 com um espaço temporário especialmente concebido para a mostra. A seleção de peças criadas por designers, comunidades de artesãos e povos indígenas descortina e celebra a diversidade cultural brasileira. O design do espaço ficou a cargo do Studio Garoa, de São Paulo, liderado pelos arquitetos Larissa Moraes e Jerônimo Faria.
Serão apresentados objetos autorais de todas as regiões do país, do Oiapoque ao Chuí. Do extremo norte, o destaque é a escultura Kayeb, uma das peças mais significativas do povo indígena Palikur, que representa uma constelação em forma de anaconda de duas cabeças. Mais do que uma peça artística, trata-se de um instrumento de memória cultural, que condensa em uma única peça de madeira a astronomia indígena, o calendário agrícola, o mito da cobra primordial que habita o céu e a arte xamânica. Do extremo sul do país, próximo a Chuí, na divisa com o Uruguai, as obras são os colares, pulseiras e bolsas produzidas pelo coletivo Redeiras, que utiliza fios de redes empregadas na pesca de camarão e posteriormente descartadas pelos pescadores.
Uma atenção especial será dedicada à temática afro-brasileira e às criações dos povos originários. No campo da cultura afro, destacam-se a participação de grupos quilombolas, como a Associação Arca, de Chapada do Norte (MG), com banquinhos de assento em palha de milho, além dos orixás produzidos por autores como Awô Omi (BA), Arte e Vida (SP) e Lídia Abrahim (PA). Entre os povos originários, marcam presença representantes das etnias Apurinã (AC), Baré (AM), Karajá (TO), Waimiri-Atroiri (RR), Waujá (MT), Xukuru (PE), Terena (MT), Ticuna (AM) e Tupiniquim (ES).
Outro destaque são as miniaturas de móveis assinadas por designers como Lina Bo Bardi, Fernando e Humberto Campana, Sergio Rodrigues e Paulo Mendes da Rocha. Em diálogo com o eixo temático deste ano do MASP, Histórias latino-americanas, a seleção também inclui estandartes de Argenis Ocampo, da Colômbia, bordados da artista Lily Sandoval Panduro, do povo Shipibo-Konibo, do Peru, bolsas em tecidos tradicionais bolivianos do coletivo Flor de Kantuta e joias de Lucrécia Terán.
Em diferentes tipologias, materiais, técnicas e faixas de preço, todos os produtos selecionados são autorais. Ao longo das semanas de duração da CASACOR, novos itens serão apresentados, muitos deles em tiragem única ou limitada. Com curadoria de Adélia Borges, curadora-adjunta, Loja MASP, o recorte é guiado pela missão do MASP de ser um museu diverso, inclusivo e plural.
