Em maio, segunda temporada curatorial assinada por Hugo Faz reúne obras de mais de 40 artistas de diversos países, em colaboração com The Memes by 6529, uma das maiores iniciativas globais de arte e cultura digital, que utiliza a linguagem dos memes para difundir ideias de liberdade, descentralização e direitos digitais
Com financiamento 100% descentralizado, iniciativa apresenta obras sob licença Creative Commons Zero (CC0), com propriedade intelectual livre e sem restrições de uso, reprodução ou comercialização

Ocupado pela Casa NUA na Formosa Hi-Fi, o espaço Domínio Público, totalmente dedicado à arte digital contemporânea em CC0, apresenta, em maio, “6529 Memes”, sua segunda temporada curatorial. A mostra reúne dezenas de obras de mais de 40 artistas de diversos países, todas criadas entre 2022 e 2026, no âmbito do projeto The Memes by 6529. Uma das maiores iniciativas globais de arte e cultura digital, a ação utiliza a linguagem dos memes para difundir a cultura digital, o movimento pela descentralização e os valores cypherpunk do mundo cripto, como a liberdade de transação, o metaverso aberto a todos e não submetido ao domínio corporativo, a resistência à censura e os direitos humanos globais nos meios digitais.
A palavra “meme”, antes de se tornar sinônimo de piada viral, foi cunhada pelo biólogo Richard Dawkins para descrever unidades culturais que se replicam e se espalham de pessoa a pessoa. E é exatamente nessa criação original que o projeto opera: cada obra é um meme no sentido mais amplo e potente do termo, uma ideia criada para circular sem barreiras e sem donos, sob licença CC0 (Creative Commons Zero), ou seja, inteiramente em domínio público.
A mostra é organizada em três eixos temáticos:“Tomar os Memes de Produção”, sobre a retomada dos meios de produção cultural pelo indivíduo; “Freedom to Transact”, sobre a liberdade de transação nos meios digitais (não mediada por plataformas ou instituições centralizadas, como um direito fundamental); e “OM – Open Metaverse”, sobre um futuro digital aberto, uma “utopia possível” sem muros corporativos.
A curadoria apresenta ao público brasileiro um panorama inédito do movimento cypherpunk traduzido em arte. São pinturas digitais, animações e vídeos, peças de design com referências históricas, performances e até obras híbridas e físico e digital que tratam de temas como soberania individual, resistência à censura e direitos humanos nos ambientes digitais, tudo com o humor, a irreverência e a acessibilidade próprios da cultura memética. Não é preciso entender de criptomoedas para se deixar afetar, as obras falam da mesma inquietação que move qualquer pessoa diante de um mundo cada vez mais mediado por plataformas e sistemas que não controlamos.

Com curadoria assinada por Hugo Faz, fundador da Casa NUA, “6529 Memes” traz para as telas da galeria subterrânea sob o Viaduto do Chá o maior acervo de arte memética no blockchain já exibido fisicamente na América Latina. Todas as obras podem ser baixadas e reproduzidas livremente pelo público, inclusive para uso comercial, reafirmando o compromisso radical da Domínio Público com o acesso irrestrito à cultura e com o fomento à economia criativa. Num país em que a palavra “meme” costuma evocar apenas o entretenimento descartável das redes sociais, a exposição convida o visitante a descobrir que um meme pode ser, também, um ato político, uma obra de arte de alto valor, e um instrumento de transformação social.





