Integração entre dispositivos, inteligência artificial capaz de interpretar situações e uso mais estratégico de dados devem marcar a próxima fase das smart homes

A casa conectada está deixando de ser apenas um conjunto de equipamentos controlados pelo celular. A próxima fase desse mercado deve ser marcada por dispositivos capazes de conversar entre si, interpretar situações e utilizar dados para entregar respostas mais personalizadas aos moradores.

A mudança acontece em um momento de expansão da tecnologia dentro dos lares brasileiros. Segundo a PNAD Contínua TIC 2025, do IBGE, 15,4 milhões de domicílios com internet já possuíam algum dispositivo inteligente no país, o equivalente a 20,2% dos lares conectados. Em apenas um ano, foram 2,1 milhões de residências a mais; em 2022, eram 9,7 milhões.

Para Wagner Gomes, Diretor Comercial da Ezviz, 2027 deve consolidar uma mudança importante: a casa inteligente começa a evoluir de equipamentos isolados para um ecossistema cada vez mais integrado.

“Até agora, o avanço da casa conectada esteve muito associado à possibilidade de controlar dispositivos à distância. A próxima etapa será fazer com que essas tecnologias trabalhem juntas, usem melhor os dados e consigam entregar respostas mais inteligentes para a rotina das pessoas”, afirma.

1. IA deixa de apenas detectar e passa a interpretar situações

A inteligência artificial já permite que dispositivos domésticos diferenciem pessoas, animais e determinados tipos de ocorrência. Em 2027, a tendência é que essa capacidade avance para alertas cada vez mais contextualizados.

Em câmeras, por exemplo, a tecnologia já pode ir além da identificação genérica de movimento e reconhecer determinados eventos, como a queda de uma pessoa idosa. O avanço muda o papel desses dispositivos: eles deixam de apenas registrar o que aconteceu e passam a ajudar o usuário a identificar situações que exigem atenção.

2. Menos aplicativos isolados, mais ecossistemas integrados

Uma casa pode ter câmera de segurança, lâmpadas, tomadas e fechaduras inteligentes, mas isso não significa que todos esses equipamentos conversem entre si.

À medida que aumenta o número de dispositivos, a tendência é que o consumidor valorize cada vez mais ecossistemas capazes de reunir diferentes funções em uma mesma experiência.

“Em vez de pensar apenas em quantos dispositivos inteligentes uma residência possui, a tendência é pensar em como eles podem trabalhar juntos. A integração torna a experiência mais simples para o usuário e permite que diferentes equipamentos atuem de maneira coordenada”, observa Wagner.

3. Mais inteligência passa a acontecer dentro do próprio dispositivo

Uma tendência tecnológica importante para 2027 será o avanço da chamada edge AI, em que parte do processamento acontece diretamente no equipamento.

Em vez de depender exclusivamente do envio de informações para servidores externos, dispositivos com maior capacidade computacional podem executar determinadas tarefas localmente. Em câmeras, isso pode contribuir para respostas mais rápidas, reduzir a necessidade de transmissão contínua de dados para a nuvem e aproveitar melhor a conexão disponível.

Em agosto de 2026, a IDC (International Data Corporation) apontou que a edge AI avançava de projetos-piloto para aplicações em produção, impulsionada pelo aumento da capacidade de processamento dos próprios dispositivos.

4. O valor da casa conectada estará cada vez mais no uso dos dados

Uma residência conectada produz uma quantidade crescente de informações sobre seus ambientes e hábitos de uso. O desafio dos próximos anos será transformar esse volume de dados em algo que tenha utilidade concreta para quem mora ali.

Segundo Wagner, ainda existe espaço para explorar melhor esse potencial. Em vez de apenas registrar o comportamento dos dispositivos, sistemas inteligentes podem identificar padrões e utilizar esses dados para antecipar necessidades. Esse avanço também exige que o uso dessas informações aconteça com critérios de segurança, transparência e respeito à privacidade dos usuários.

Um exemplo seria uma solução capaz de acompanhar o consumo de determinados produtos da residência e indicar quando é necessário fazer uma reposição. A mesma lógica pode ser aplicada a diferentes aspectos da rotina, fazendo com que a casa conectada deixe de ser apenas um conjunto de equipamentos controlados remotamente.

“O desafio é transformar os dados gerados pela casa conectada em informações que realmente sejam úteis para o usuário. A partir da identificação de padrões de comportamento e consumo, a tecnologia pode ajudar a antecipar necessidades e tornar a experiência dentro de casa mais personalizada”, comenta Wagner.

5. Eficiência energética e autonomia ganham espaço no desenvolvimento dos dispositivos

Quanto maior o número de dispositivos conectados dentro de uma residência, maior também é a atenção necessária ao consumo de energia e à autonomia dos equipamentos.

Por isso, eficiência energética tende a ganhar relevância no desenvolvimento da próxima geração de dispositivos inteligentes. Equipamentos com menor consumo, baterias mais eficientes e alternativas de geração de energia, como a fotovoltaica, podem ampliar as possibilidades de uso da tecnologia, especialmente em equipamentos instalados em áreas externas ou locais de difícil acesso à rede elétrica.

O mercado acompanha essa transformação. A Grand View Research estima que o mercado global de smart homes passe de US$ 162,8 bilhões em 2025 para US$ 207 bilhões em 2026 e alcance US$ 887,4 bilhões em 2033.

O avanço da casa conectada, portanto, deve ser medido cada vez menos pela quantidade de aparelhos instalados e mais pela capacidade de fazer esses equipamentos trabalharem juntos. Para 2027, a tendência é que inteligência artificial, integração, uso de dados e eficiência aproximem a tecnologia de uma promessa antiga da smart home: uma casa que exige menos comandos e consegue responder melhor à rotina de quem vive nela.

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