Exposição reúne fotografia, vídeo, pintura, escultura e outras linguagens que materializam a diversidade do Brasil contemporâneo;

Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical – Recanto a partir de 5 de maio, no Sesc Pinheiros, com curadoria de Orlando Maneschy e curadoria adjunta de Keyla Sobral. Com cerca de 280 obras, a mostra propõe uma imersão no imaginário de um Brasil plural, múltiplo e em constante reinvenção, compondo um mosaico que vai de imagens históricas a produções contemporâneas e que se voltam às experiências singulares em territórios distintos e entendimentos de mundo.

Delírio Tropical – Recanto constrói uma narrativa que articula diferentes manifestações visuais artísticas — da fotografia ao vídeo, passando por cartazes, lambes, revistas, esculturas, pinturas e objetos. A mostra propõe uma reflexão sobre o papel das imagens na construção do entendimento do país e de suas múltiplas identidades, a partir de uma curadoria que reúne artistas comprometidos com suas experiências, territórios e modos de existência, incluindo perspectivas culturais das várias regiões do país, ao lado de uma diversidade de vozes contemporâneas. 

O conjunto expositivo inclui obras de artistas como Anna Maria Maiolino, Ayrson Heráclito, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Hal Wildson, Índigo Braga, Rosângela Rennó e Karim Aïnouz.

“Buscamos reunir artistas que olham para o Brasil a partir de seus territórios, que usam a imagem como elemento decisivo na construção de discursos, ressaltando uma ideia de país diverso”, afirma o curador Orlando Maneschy. “A exposição é um convite a romper com olhares estereotipados e a se abrir para experiências que nos deslocam e nos transformam”, completa Maneschy.

Originalmente apresentada na Pinacoteca do Ceará como parte do Fotofestival Solar, a exposição chega ao Sesc Pinheiros como itinerância, ampliando o acesso a um conjunto de obras que tensionam estereótipos e revelam um Brasil marcado por disputas simbólicas, afetos, violências, resistências e desejos. Na capital paulista, a mostra conta com uma obra inédita de Keyla Sobral e expografia pensada para as especificidades do Sesc Pinheiros.

Um caminho visual por múltiplos Brasis

A mostra parte da ideia de que a imagem, em suas múltiplas formas de circulação — do das capas de discos ao GIF, da fotografia ao impresso que atravessa o cotidiano — é um elemento central na construção do imaginário brasileiro. Com artistas de diferentes contextos, a seleção de obras apresenta um país em construção e diverso, atravessado por tensões entre memória e atualidade, sem buscar um discurso fechado, mas aberto à reflexão. Nesse percurso, imagens históricas e contemporâneas se aproximam para retomar questões que seguem latentes, sugerindo continuidades entre passado e presente.

“Corpo Indivíduo F” (2011), de Dalton Paula | Foto: Vinícius de Castro  

Mais do que um recorte autoral, Delírio Tropical – Recanto sugere um campo de escuta em que os trabalhos dialogam entre si e constroem, coletivamente, uma leitura possível do Brasil, entre tantas outras plausíveis, que não quer ser totalizante e, inclusive, assume ausências e lacunas. A curadoria se organiza como uma articulação desses olhares, e o resultado é um caminho por um Brasil em que diferentes corpos, identidades e narrativas emergem não como representação, mas como presença, ativando outras formas de ver, imaginar e se relacionar com o país.

A expografia conduz o visitante por um fluxo imersivo que começa em um ambiente de caráter quase ritualístico, evocando a ruptura com visões cristalizadas, e avança por núcleos que abordam temas como identidade, memória, mídia, território e poder. Ao longo do trajeto, obras de distintas épocas e contextos entram em diálogo, criando conexões inesperadas e ativando novas leituras sobre o Brasil.

A relação entre imagem e circulação também está em destaque na montagem, incorporando elementos da cultura visual cotidiana, como capas de revistas, de discos e registros documentais, que ajudam a construir o imaginário coletivo brasileiro. Nesse sentido, Delírio Tropical – Recanto propõe não apenas observar imagens, mas refletir sobre como elas moldam percepções, narrativas e sentidos.

A realização da mostra integra o compromisso institucional do Sesc São Paulo de ampliar o acesso à produção artística contemporânea e promover o encontro entre diferentes públicos e repertórios culturais. É um convite ao público para reimaginar o Brasil a partir de sua diversidade, de seus contrastes e de sua riqueza simbólica. A programação inclui ainda ações educativas, visitas mediadas e atividades formativas, ampliando as possibilidades de diálogo com os públicos.

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