A gestão ineficiente de dados pode afetar o caixa das empresas e levar negócios à falência em 2027. Especialistas explicam como se adequar aos novos sistemas ainda este ano
O ano de 2026 marca o início da implementação prática da Reforma Tributária no Brasil. Somado a isso, o mercado entrou na reta final do suporte ao Sistema SAP ECC, o principal sistema de planejamento de recursos empresariais (ERP) da SAP, que integra departamentos como finanças, logística, RH e produção em tempo real.
Trocando em miúdos, as empresas brasileiras estão tendo que estruturar dados como nunca antes. Entre elas, as que usam o SAP ERP em versões desatualizadas terão de enfrentar o período de transição e a migração para o SAP S/4HANA, versão do sistema que conversa com a nova plataforma do Governo Federal no contexto da Reforma Tributária.
O sistema SAP, especialmente o S/4HANA, está sendo atualizado para suportar a transição de impostos como ICMS/ISS/PIS/COFINS para o novo modelo de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) a partir de 2026.
Na avaliação da SPS Group, consultoria de tecnologia especializada em soluções SAP, 2026 é o ano decisivo para a organização de dados dentro das empresas, revisão de processos e adequação de sistemas de gestão para evitar prejuízos no novo cenário.
“Não dá mais para tratar tecnologia, finanças e fiscal como mundos separados. O fim do ECC, a migração para o S/4HANA e a Reforma Tributária fazem parte da mesma agenda: a de proteger o caixa da empresa. Quem não colocar o planejamento orçamentário no centro dessa conversa corre o risco de descobrir tarde demais que estava tomando decisão com base em dados ruins”, afirma Jurânio Monteiro, COO da 4SOLVE, frente de soluções financeiras e tributárias da SPS Group.
O desafio não é pequeno. Estatísticas do IBGE mostram que cerca de 60% das empresas brasileiras fecham em seus primeiros cinco anos de vida, tendo a má gestão financeira como uma das principais causas. A SPS Group atua ajudando empresas na gestão de dados de todos os departamentos, preparando-as para enfrentar as mudanças.
Para o especialista, o planejamento orçamentário deixa de ser uma tarefa burocrática e passa a ser o diferencial entre resiliência e o encerramento das operações. “Embora esteja ligado às finanças, o orçamento é, na verdade, a tradução do planejamento estratégico da companhia em números. E isso só funciona se os dados que alimentam o ERP forem íntegros, coerentes e compartilhados por todas as áreas”, reforça Jurânio.
Segundo Jurânio Monteiro, estamos diante da oportunidade de colocar a casa em ordem com calma. “Quem deixar esta organização para 2027 vai lidar com projetos mais caros, mais traumáticos e com maior risco de impacto direto no resultado”, conclui.
